O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta quinta-feira (12) a redução do custo de empréstimos para mulheres que fazem parte de cooperativas de crédito. A nova taxa começará a valer em abril.
A redução do spread, que é a diferença entre o custo do dinheiro para o BNDES e o valor cobrado dos tomadores de financiamento, será a principal mudança. A remuneração do banco com os empréstimos passará de 0,85% para 0,50% ao ano para cooperadas das regiões Norte e Nordeste. Nas demais regiões, a taxa será reduzida de 1,25% para 0,85% ao ano.
O anúncio ocorreu na sede do BNDES, no Rio de Janeiro, durante um evento em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, celebrado no último domingo (8). Além das taxas mais baixas, as mulheres terão um prazo maior para quitar os financiamentos, que passará de 12 para até 15 anos, com dois anos de carência para começar a amortizar o empréstimo.
De acordo com o banco, essa mudança permitirá a redução do valor das parcelas e ampliará a capacidade de acesso ao crédito. As cooperativas de crédito contam com cerca de 20 milhões de associados, dos quais aproximadamente 44,5% são mulheres. Atualmente, pouco mais de um quarto (27%) das operações do programa de financiamento do BNDES são contratadas por mulheres.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que o cooperativismo é uma prioridade do banco. “Se a gente não constrói esse acesso, não aumenta a participação das mulheres nas cooperativas. As cooperativas trazem resultado, ensinamento, segurança a famílias. Muitas mulheres são mães solo, responsáveis por pequena propriedade rural ou pequena empresa”, afirmou.
Desde 2023, o BNDES alterou medidas do programa de financiamento por cooperativas, aumentando o limite de financiamento de R$ 30 mil para até R$ 100 mil. De 2023 a 2025, o volume de crédito com recursos do BNDES repassados por bancos cooperativos e cooperativas de crédito alcançou R$ 99,5 bilhões.
A diretora de Crédito Digital para Micro, Pequenas e Médias Empresas do BNDES, Maria Fernanda Coelho, ressaltou que o cooperativismo de crédito é uma “ferramenta poderosa” de inclusão financeira e desenvolvimento regional. “Com condições mais favoráveis para mulheres, queremos estimular mais empreendedoras e trabalhadoras a acessar crédito, fortalecer suas cooperativas e ampliar suas oportunidades de geração de renda”, disse.
Durante o evento, o BNDES também anunciou a liberação de até R$ 80 milhões para o programa BNDES Periferias, que visa apoiar organizações da sociedade civil e instituições sem fins lucrativos que desenvolvam programas de capacitação de mulheres periféricas empreendedoras. As iniciativas podem incluir formação profissional, capacitação em gestão, mentorias, acesso a redes de mercado e capital.
A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, destacou que as periferias são os territórios onde as mulheres são mais vulneráveis. “Obviamente não é só para mulheres, mas são as mulheres as grandes cuidadoras”, afirmou.
O banco também anunciou uma linha de financiamento voltada para estados e municípios que implementem políticas públicas na área de segurança da mulher, com recursos para a construção de delegacias da mulher e fortalecimento de patrulhas Maria da Penha. O financiamento poderá alcançar até 90% do valor do projeto, com prazo total de até 24 anos.
A diretora Tereza Campello afirmou que as ações anunciadas contribuem para reduzir fatores de risco que “perpetuam a violência”. “A violência contra as mulheres é um fenômeno complexo, que exige respostas integradas. Prevenção, proteção, investigação, responsabilização e autonomia econômica precisam caminhar juntas”.
O presidente do BNDES assinou uma carta de adesão ao Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio, reafirmando o compromisso institucional com a promoção da igualdade de gênero e o enfrentamento da violência contra as mulheres.


