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Engenheiro é preso por liderar esquema de venda de armas 3D

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O engenheiro Lucas Alexandre Flaneto de Queiroz, de 26 anos, foi preso nesta quarta-feira, 12 de março de 2026, acusado de liderar um esquema interestadual de venda de armas fabricadas com impressoras 3D. A prisão ocorreu no âmbito da Operação Shadowgun, deflagrada pela Polícia Civil, o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), Queiroz, conhecido como Zé Carioca, era responsável por criar, vender e divulgar material bélico em fóruns e na dark web. Ele usava o slogan “Testado nos EUA, projetado no Brasil e feito na sua casa”.

“Apesar dos esforços de Zé Carioca para manter-se anônimo fora do ambiente virtual, a investigação revelou não apenas sua verdadeira identidade, mas também o esquema ilegal que ele liderava, voltado à produção e à venda, pela internet, de peças e acessórios de armas de fogo”, informou o MPRJ em nota.

Ao todo, cinco pessoas foram presas durante a operação. Entre os detidos está Gianluca Bianchi, cujo pai possui uma empresa especializada em ferragens, que estaria sendo usada para o desenvolvimento das partes metálicas necessárias para o funcionamento do armamento 3D.

Foram cumpridos 32 mandados de busca e apreensão em diversos estados, incluindo Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina e São Paulo. A investigação identificou 10 clientes no estado do Rio de Janeiro.

A 32ª DP (Taquara) apura o destino das armas, com suspeitas de que os armamentos foram adquiridos pelo tráfico de drogas e por milícias. Um dos compradores está preso por porte de “grande quantidade de armas e munições”.

Queiroz divulgou um manual de mais de 100 páginas que descrevia “detalhadamente todas as etapas necessárias para a fabricação da arma, permitindo que qualquer pessoa com conhecimentos intermediários em impressão 3D pudesse produzir o armamento em poucas semanas, utilizando equipamentos de baixo custo”. O documento também incluía um manifesto ideológico defendendo o porte irrestrito de armas e o uso de criptomoedas para financiar a organização criminosa.

A quadrilha fabricava principalmente armas semiautomáticas e carregadores alongados de pistolas de diversos calibres, comercializando o material bélico na internet. Entre 2021 e 2022, o grupo efetuou vendas para 79 compradores, muitos dos quais tinham antecedentes criminais por tráfico e delitos graves. Os denunciados responderão pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de arma de fogo, com a competência estabelecida no Rio de Janeiro, onde foi identificado o maior número de compradores.

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