A CSN deve assinar em breve um financiamento que terá a operação de cimentos do grupo como garantia. A confirmação foi feita pelo diretor financeiro, Marco Rabello, nesta quinta-feira (12), durante uma conferência com analistas após a divulgação dos resultados do quarto trimestre da empresa.
Rabello não revelou os valores do financiamento, mas destacou: “Priorizamos estrutura em que [participação em] cimentos é o colateral da operação”. Ele acrescentou que a transação está em um estágio avançado e que será assinada em poucos dias, descrevendo-a como “saudável e que vai trazer vários benefícios para a CSN e para nossos credores também”.
Informações da imprensa local indicaram que a CSN estava próxima de fechar um financiamento entre US$ 1,35 bilhão e US$ 1,5 bilhão com bancos, utilizando as ações de sua cimenteira como garantia. Além disso, Rabello mencionou que a CSN deve concluir no terceiro trimestre a venda do controle da cimenteira e de uma participação em sua futura empresa de ativos logísticos, parte de um plano anunciado em janeiro para levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões em capital para reduzir a alavancagem financeira.
O executivo informou que a CSN contratou o Morgan Stanley para a venda do controle da CSN Cimentos e que o Bradesco e o Citibank foram escolhidos para assessorá-la no processo envolvendo a empresa de infraestrutura logística. “Na venda do controle de cimentos, o processo é super saudável. Recebemos uma série de interessados…vários da Ásia, vários da Europa e brasileiros também”, disse Rabello.
Rabello também afirmou que a CSN deve conduzir uma operação de pré-pagamento de minério de ferro entre o primeiro e o terceiro trimestres deste ano, sem revelar valores. Apesar das movimentações, as ações da companhia apresentaram perdas significativas no Ibovespa nesta quinta-feira, em meio a preocupações dos investidores com o aumento do endividamento do grupo.
O diretor financeiro destacou que o crescimento da dívida líquida no quarto trimestre para R$ 41,2 bilhões foi um evento pontual, relacionado a fatores como efeitos cambiais adversos. O aumento da alavancagem para 3,47 vezes, em comparação ao múltiplo de 3,14 no terceiro trimestre, foi o primeiro após três trimestres consecutivos de queda.
Rabello reiterou que a CSN avalia uma possível parceria para sua operação de produção de aço, visando melhorar a eficiência da divisão, mas não forneceu detalhes adicionais. Em relação ao mercado, a CSN espera que os preços do aço no primeiro trimestre aumentem entre 4,5% e 6%, com o diretor comercial, Luis Fernando Martinez, mencionando que isso se deve à “redução de descontos” e à aplicação de barreiras antidumping pelo governo.
Martinez também projetou uma queda na importação de aço pelo Brasil neste ano, estimando uma redução de 1,5 milhão a 2 milhões de toneladas, apesar de um aumento nas compras em janeiro e fevereiro. O diretor comercial afirmou que a companhia deve manter volumes estáveis de venda de aço no primeiro trimestre e espera um aumento expressivo da carteira no segundo trimestre, principalmente em materiais de maior valor agregado.

