Uma mulher de 46 anos foi presa em Florianópolis nesta quinta-feira (12) suspeita de envolvimento no desaparecimento da corretora de imóveis gaúcha Luciani Aparecida Estivalet Freitas, de 47 anos.
A prisão ocorreu inicialmente pelo crime de receptação, após a Polícia Civil encontrar diversos objetos que pertenciam à vítima em uma pousada que a suspeita se apresenta como responsável. Durante a audiência de custódia, o juiz destacou a existência de indícios de homicídio e determinou a prisão temporária da suspeita por 30 dias.
A suspeita negou qualquer envolvimento com o desaparecimento da vítima. O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) solicitou a mudança de competência do caso para o Tribunal do Júri.
A investigação revelou que, após o desaparecimento de Luciani, compras foram feitas utilizando o CPF da vítima. A Polícia Civil monitorou os endereços de entrega dos produtos, todos localizados em Florianópolis. Durante o monitoramento, policiais abordaram um adolescente de 14 anos que buscava algumas das encomendas, que seriam destinadas ao irmão.
Os agentes foram até uma pousada, onde encontraram a suspeita, o irmão do adolescente e outra mulher. Em um dos apartamentos da pousada, os policiais encontraram duas malas com pertences da corretora, além de itens comprados em nome dela, como dois arcos de balestra, um controle de videogame e uma televisão. O carro da corretora, um HB20, também foi encontrado na pousada.
Depoimentos indicaram que objetos da vítima teriam sido escondidos e que houve tentativas de dificultar o trabalho da polícia. O Ministério Público considera que os fatos apontam que o caso vai além de um crime patrimonial.
A Polícia Civil investiga se o corpo encontrado esquartejado em Major Gercino, na Grande Florianópolis, é da corretora. Segundo o Ministério Público, há elementos que indicam que a vítima foi morta, esquartejada e teve partes do corpo ocultadas em diferentes locais.
Uma das mulheres ouvidas pela polícia relatou que a morte de Luciani teria ocorrido com a participação da dona da pousada, do irmão do adolescente e da namorada dele. A investigação aponta que, no dia 7 de março, o carro da corretora foi visto circulando pelos municípios de São João Batista e Major Gercino, e um corpo foi encontrado em um rio na mesma data.
O corpo apresentava características compatíveis com as de Luciani, mas a identificação oficial ainda depende de exames periciais. O Ministério Público solicitou que o caso seja encaminhado ao Tribunal do Júri.
Luciani, que mora sozinha, mantinha contato diário com a família. O último contato ocorreu em 4 de março, mas mensagens suspeitas enviadas pelo celular da corretora, repletas de erros gramaticais, levaram a família a registrar o desaparecimento na polícia.
Além disso, a proprietária de um imóvel administrado por Luciani também recebeu mensagens suspeitas após atraso no pagamento de faturas.


