Uma pesquisa da plataforma de empregos InfoJobs revelou que 49% das mulheres acreditam que suas carreiras enfrentam obstáculos na transição para cargos de gestão. O estudo, que faz parte da Pesquisa Panorama da Mulher no Mercado de Trabalho 2026, foi realizado com 1.022 profissionais e divulgado com exclusividade.
De acordo com o levantamento, a maioria das mulheres sente que o crescimento profissional é interrompido antes de alcançar o topo da hierarquia corporativa. Enquanto 49% mencionam dificuldades na passagem de funções técnicas para posições de gestão, 20% afirmam que a barreira aparece apenas na chegada à diretoria ou nível executivo.
Os especialistas explicam esse fenômeno com dois conceitos: o teto de vidro, que se refere a barreiras invisíveis que impedem o avanço até as posições mais altas, e o degrau quebrado, que representa a dificuldade em conquistar a primeira promoção para cargos de liderança. Hosana Azevedo, gerente de RH do Redarbor, destacou que a transição para a liderança depende de fatores como visibilidade e networking, que historicamente favorecem os homens.
“”Esse é um momento em que as promoções passam a depender menos de entrega individual e mais de visibilidade, networking interno e confiança da liderança — fatores que historicamente favoreceram trajetórias masculinas”, disse Hosana.”
Além disso, a pesquisa revelou que mais da metade das participantes (54%) não está trabalhando atualmente. Apenas 5% atuam em coordenação ou gestão, e 3% chegaram à liderança sênior ou à diretoria. A distribuição de projetos estratégicos, que aumentam a visibilidade, também foi analisada. Quase metade das entrevistadas (46%) acredita que a distribuição é equilibrada, mas 31% afirmam que as mulheres enfrentam maior cobrança.
Sobre o ambiente de trabalho, 45% das mulheres afirmam que precisam ter mais cautela ao se posicionar em comparação aos colegas homens. Apenas 33% relatam sentir a mesma liberdade que os homens. A pesquisa também apontou que 78% das mulheres acreditam que questões como igualdade salarial e apoio à dupla jornada ainda não recebem a devida atenção nas empresas.
“”As empresas precisam traduzir equidade em ações concretas. Quando as mulheres percebem que seus direitos e oportunidades são tratados de forma superficial, o resultado aparece em diferentes dimensões da organização”, afirmou Ana Paula Prado, CEO da Redarbor.”
O estudo também revelou que o sentimento de estagnação se intensifica a partir dos 30 anos, quando muitas mulheres enfrentam decisões pessoais, como a maternidade. Além disso, setores tradicionalmente masculinos, como tecnologia e engenharia, apresentam barreiras maiores para a ascensão feminina.
Apesar das dificuldades, 50% das entrevistadas têm uma visão otimista sobre o futuro do mercado de trabalho para as mulheres, esperando maior igualdade salarial e oportunidades mais equilibradas. Hosana concluiu que cabe às empresas transformar essa expectativa em práticas concretas de desenvolvimento e acesso à liderança.


