O Brasil conquistou sua primeira estatueta no Oscar em 2025 com o filme “Ainda Estou Aqui” e pode ganhar mais prêmios neste domingo (15), com “O Agente Secreto” indicado a quatro categorias. Cineastas da nova geração avaliam o impacto desse reconhecimento internacional e a situação do cinema brasileiro.
Os cineastas destacam que os sucessos de “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” são casos específicos, resultado de fatores como a consagração dos diretores Kleber Mendonça Filho e Walter Salles, além da percepção do mercado internacional sobre filmes latinos. Ambos os filmes estrearam em festivais internacionais e foram adquiridos por grandes distribuidoras.
Rodrigo Teixeira, produtor, afirmou que a indicação do cinema brasileiro ao Oscar por dois anos consecutivos representa um “empoderamento” histórico, mas ressaltou que esse prestígio deve ser acompanhado de políticas públicas que apoiem a renovação de talentos. Ele expressou preocupação com a falta de garantias para cineastas, como Gabriel Martins, que, apesar de ter seu filme “Marte Um” escolhido para o Oscar em 2022, ainda enfrenta dificuldades para produzir novos projetos.
Matheus Peçanha, cineasta e diretor da Associação de Produtoras Independentes, enfatizou que a produção cinematográfica depende de incentivos públicos. Ele lembrou que entre 2012 e 2018 houve um investimento significativo no cinema brasileiro, mas que atualmente os cineastas independentes não estão recebendo o apoio necessário.
O Ministério da Cultura anunciou que o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) ampliou os investimentos em R$ 100 milhões para a Chamada Pública de Produção Seletivo de Cinema de 2024, totalizando R$ 260 milhões. A nota do ministério indicou que novos editais estão previstos para abril deste ano.
Gabriel Martins destacou que a atenção internacional gerada pelo Oscar e outras premiações tem um impacto positivo na percepção do cinema e da cultura brasileira no exterior. No entanto, ele e outros cineastas alertam que o reconhecimento internacional não garante um futuro sustentável para a produção cinematográfica no Brasil, que ainda enfrenta incertezas em relação a investimentos e regulamentação.
Os cineastas expressam a necessidade de mais investimento e apoio para que o cinema brasileiro possa continuar a crescer e se destacar no cenário internacional. Eles afirmam que, apesar do reconhecimento, a produção cinematográfica no Brasil ainda é vulnerável e carece de um suporte mais robusto.


