A expressão “derretimento das partes íntimas” tem circulado nas redes sociais, associada ao uso do Mounjaro, medicamento indicado para o tratamento do diabetes tipo 2 e que também é utilizado para perda de peso.
A formulação gerou dúvidas e preocupações entre pacientes, mas especialistas afirmam que essa descrição não corresponde a um efeito colateral específico do remédio. O Mounjaro é o nome comercial da tirzepatida, uma medicação injetável que atua em hormônios relacionados ao controle da glicose e do apetite.
O medicamento ajuda os pacientes a terem uma perda de peso significativa ao reduzir a fome e melhorar o controle metabólico. Essa redução de gordura corporal pode explicar o surgimento da expressão “derretimento das partes íntimas”.
Não existe na bula do medicamento qualquer efeito adverso descrito como “derretimento” de tecidos, muito menos restrito à região íntima. O que pode ocorrer, em casos de emagrecimento rápido, é a diminuição do volume de gordura subcutânea em diferentes partes do corpo, incluindo a região pubiana.
““O termo ‘derretimento’ é utilizado pelas próprias pacientes para se referir à flacidez de pele. Quando a pele fica flácida, dá essa sensação de que está ‘derretendo’. Não é um termo científico nem técnico usado na cirurgia plástica, é um termo popular relatado no consultório”, comenta Renata Magalhães, especialista em cirurgia íntima e plástica.”
A região íntima possui tecido adiposo e, quando há redução de peso, essa gordura diminui, assim como acontece em outras áreas do corpo. Esse fenômeno não é exclusivo do Mounjaro e pode ocorrer com qualquer método que leve a emagrecimento significativo, incluindo dieta e cirurgia bariátrica.
Os médicos ressaltam que mudanças corporais decorrentes da perda de peso fazem parte do processo de emagrecimento e variam de pessoa para pessoa, dependendo de fatores como idade, genética e quantidade de peso perdido.
Embora essa alteração estética não seja um “derretimento” literal, pode causar desconforto significativo e impactar a autoestima e a qualidade de vida sexual da mulher. Procedimentos estéticos podem ser indicados para restaurar o volume e a firmeza da região.
““Temos opções minimamente invasivas, como bioestimuladores de colágeno, preenchimento com ácido hialurônico ou gordura da própria paciente (lipofilling), além de tecnologias como radiofrequência para flacidez. Em casos mais acentuados, pode ser indicada cirurgia, como lifting pubiano ou labioplastia”, explica Fernanda Nassar, ginecologista especializada em estética íntima.”
As especialistas alertam que, antes de fazer qualquer procedimento estético na região íntima, é importante uma avaliação individualizada. Gestantes, pacientes com infecções ativas e doenças descompensadas não devem fazer nenhum tipo de procedimento.
““Além disso, é importante que o peso esteja estabilizado antes de qualquer intervenção, para garantir um resultado mais duradouro e seguro”, finaliza Nassar.”


