Denice Antunes, de 73 anos, moradora de Ministro Andreazza, em Rondônia, convive há quase um ano com a neuralgia do trigêmeo, uma das dores mais intensas descritas pela medicina.
A condição afeta o nervo responsável pela sensibilidade da face e provoca crises de dor comparadas a choques elétricos no rosto. “Uma dor insuportável que não passa. Eu deixei de viver. Com esse problema tenho dificuldade até de conversar”, relatou.
A nora de Denice, Sandra, contou que os primeiros sinais surgiram com pequenas bolhas no rosto e uma ardência intensa, descrita por Denice como “brasa de fogo”. As manchas aumentaram, o rosto inchou e as lesões também apareceram dentro da boca.
No hospital, exames confirmaram o diagnóstico de herpes-zóster. Embora as feridas tenham cicatrizado, a dor persistiu e se intensificou. Após cerca de seis meses, as crises se tornaram mais frequentes, com episódios de “choques” no rosto ocorrendo até três vezes durante a madrugada.
“Ela dizia que eram choques na cabeça. A gente não entendia o que estava acontecendo”, relatou Sandra. Preocupada com a intensidade das crises, a família buscou um especialista e solicitou uma ressonância magnética, que confirmou o diagnóstico de neuralgia do trigêmeo.
Denice foi encaminhada para um neurocirurgião, que explicou que, devido à idade, a cirurgia poderia não ser a melhor alternativa. Antes ativa, frequentadora de academia e atividades para a terceira idade, Denice precisou interromper sua rotina.
Atualmente, enfrenta limitações até para tarefas simples do dia a dia. “Ela nos pede para levar ela ao médico o tempo todo. Diz que não aguenta mais”, contou Sandra. Denice foi submetida a tratamentos conservadores, mas, diante da falta de resposta duradoura, o médico Edilton Oliveira dos Santos optou por um procedimento minimamente invasivo chamado radiofrequência.
A técnica utiliza um eletrodo guiado por raio-X para aplicar calor controlado no nervo afetado, visando reduzir a transmissão do estímulo doloroso. Após a tentativa, a família afirmou que o resultado não foi o esperado. “O doutor deixou bem claro para nós que poderia dar certo ou não. De fato, não deu. Agora, não há mais o que fazer, apenas orar e ter fé. Estamos muito abalados emocionalmente e tristes”, declarou Denice.
De acordo com Edilton, a neuralgia do trigêmeo não é considerada uma doença rara, mas é extremamente incapacitante. Atividades simples, como falar, comer, beber água gelada, dormir em ambientes frios ou até fazer a barba, podem desencadear crises intensas.
“É uma dor insuportável que não passa. Não mudou nada, ela continua. Nas horas de crise, fico deitada tentando amenizar, porque não consigo fazer nada de tanta dor. Eu deixei de viver com esse problema. Tenho dificuldade até para conversar”, relatou Denice.
O nervo trigêmeo é responsável por transmitir as sensações do rosto e controlar a musculatura da mastigação. O especialista alerta que muitos pacientes passam por consultórios odontológicos antes de receber o diagnóstico correto, já que a dor costuma ser confundida com problemas dentários, o que pode levar a extrações desnecessárias.
O diagnóstico da neuralgia do trigêmeo é clínico, mas exames de imagem ajudam a excluir outros problemas, como um tumor ou esclerose múltipla. “O mais importante é procurar um especialista o quanto antes. Um diagnóstico correto facilita o tratamento e evita anos de sofrimento”, reforçou.


