Naufrágio de lancha no Amazonas completa um mês e cinco pessoas seguem desaparecidas

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O naufrágio da lancha de transporte de passageiros Lima de Abreu XV, em Manaus, completa um mês nesta sexta-feira (13) e cinco pessoas seguem desaparecidas. O acidente ocorreu quando a embarcação, que partiu da capital com destino ao município de Nova Olinda do Norte, afundou com cerca de 80 pessoas a bordo.

Três mortes foram confirmadas e dezenas de passageiros ficaram à deriva até serem resgatados. Na quinta-feira (12), o Corpo de Bombeiros informou que o trabalho de busca continua por tempo indeterminado. Os militares já percorreram 238 quilômetros pelo Rio Amazonas durante as operações de busca.

Um efetivo de 21 militares, incluindo 12 mergulhadores e 2 embarcações, está envolvido na operação. O CBMAM também utiliza drones e sonar para auxiliar nas buscas. Ao longo das últimas semanas, familiares dos desaparecidos têm acompanhado o trabalho de busca.

A lancha saiu de Manaus por volta das 12h30 e naufragou nas proximidades do Encontro das Águas, onde os rios Negro e Solimões se encontram. Vídeos gravados por passageiros mostram pessoas, incluindo crianças, à deriva, muitas usando coletes salva-vidas ou apoiadas em botes enquanto aguardavam socorro.

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As causas do acidente não foram divulgadas oficialmente e seguem sob investigação. Após o naufrágio, parte dos passageiros foi socorrida por embarcações que navegavam pela região. Um dos episódios mais notáveis foi o salvamento de um bebê prematuro de apenas cinco dias de vida, que foi colocado dentro de um cooler para evitar contato direto com a água.

A mãe do bebê, que havia viajado a Manaus para dar à luz, também foi resgatada e ambos foram levados para atendimento médico. Testemunhas relataram momentos de tensão antes do naufrágio, com uma passageira alertando o piloto sobre a necessidade de reduzir a velocidade devido ao banzeiro.

Entre as vítimas estão Samila de Souza, de 3 anos, Lara Bianca, de 22 anos, e Fernando Grandêz, de 39 anos. Os corpos de Samila e Lara foram encontrados horas após o naufrágio. Samila chegou a ser levada ao Pronto-Socorro da Criança da Zona Leste, mas já estava sem vida. Lara Bianca, natural de Nova Olinda do Norte, estava prestes a concluir o curso de odontologia em Manaus.

Fernando Grandêz, cantor gospel, teve seu corpo encontrado três dias após o naufrágio. O piloto da embarcação, Pedro José da Silva Gama, de 42 anos, foi detido pela polícia após o resgate, mas liberado após pagar fiança. Ele é considerado foragido após a determinação de prisão preventiva emitida pela juíza Eliane Gurgel do Amaral Pinto.

A empresa Lima de Abreu Navegações, responsável pela lancha, lamentou o ocorrido e afirmou que a embarcação estava regularizada e com a documentação em dia, além de informar que está colaborando com as investigações.

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