O Grupo Pão de Açúcar (GPA) anunciou que irá recorrer à recuperação extrajudicial para lidar com dívidas estimadas em R$ 4,5 bilhões. A decisão reflete a crise financeira que a empresa enfrenta, resultado de uma série de desinvestimentos e mudanças estratégicas ao longo dos anos.
O GPA, que já foi um dos maiores conglomerados do Brasil, viu seu caixa cair de R$ 8 bilhões em 2021 para R$ 1,7 bilhão em 2025. Em 2013, sob controle do grupo francês Casino, o GPA registrava lucro líquido de R$ 1,8 bilhão e empregava 150 mil pessoas. Atualmente, a empresa opera 740 lojas e conta com 37 mil funcionários.
O CEO Alexandre Santoro afirmou que a recuperação extrajudicial permitirá a suspensão das cobranças das dívidas bancárias por noventa dias, período em que a companhia tentará renegociar os termos com os credores. Ele destacou que a empresa ainda possui ativos relevantes e busca um reposicionamento no mercado.
Desde 2019, o Casino promoveu seis grandes operações de venda de ativos, totalizando cerca de R$ 55 bilhões, sendo R$ 33 bilhões destinados ao caixa do Casino e R$ 22 bilhões ao GPA. Especialistas afirmam que essas operações foram realizadas para aliviar as dificuldades financeiras do controlador francês na Europa.
A separação do Assaí do GPA em 2021 e a venda dos hipermercados Extra também contribuíram para a deterioração financeira do grupo. O Assaí, que se tornou o negócio mais promissor, foi desmembrado, deixando o GPA exposto a prejuízos.
Além das dívidas bancárias, o GPA enfrenta R$ 17 bilhões em disputas fiscais e trabalhistas. O ambiente de negócios no Brasil, caracterizado por margens estreitas e elevada carga tributária, tem dificultado a operação das empresas do setor.
A disputa interna pelo controle do GPA, envolvendo o grupo ligado ao Casino e a família Coelho Diniz, também atrasou negociações que poderiam ter ajudado a empresa a evitar a crise atual. O Itaú é o principal credor, com R$ 900 milhões a receber.


