Jair Bolsonaro, preso no complexo penitenciário da Papudinha, em Brasília, coordena a campanha presidencial de seu filho Flávio Bolsonaro. Desde dezembro, o ex-presidente cumpre uma pena de 27 anos por tentativa de golpe e, apesar da situação, mantém influência sobre a estratégia eleitoral do PL.
Assim como Lula em 2018, que coordenou sua campanha da prisão, Bolsonaro escolheu Flávio como candidato ao Planalto e está envolvido na definição dos candidatos ao Senado da aliança de direita. O ex-presidente recebe visitas semanais de políticos e familiares, através dos quais envia ordens e recados.
Recentemente, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou uma carta escrita por Jair, onde ele indicou Marcos Pollon como candidato ao Senado em Mato Grosso do Sul. “Adianto que, pelo seu caráter, honra e dedicação enquanto deputado federal, o meu candidato será Marcos Pollon”, afirmou o ex-presidente.
Flávio Bolsonaro, que também é bacharel em direito, foi incluído na equipe jurídica do pai, o que lhe permite visitá-lo sempre que necessário. O senador confirmou que todas as decisões do PL são aprovadas por Jair antes de serem anunciadas. O ex-presidente orienta Flávio a moderar o discurso e focar as críticas nos adversários.
As pesquisas de intenção de voto mostram Flávio em ascensão, enquanto o presidente da República apresenta um viés de queda. No pior cenário, Flávio poderia perder para Lula por apenas 3 pontos percentuais, enquanto no melhor cenário, ambos estariam empatados.
A rotina de Bolsonaro na Papudinha tem se intensificado com o aumento das visitas. O ministro Alexandre de Moraes autorizou a recepção de assessores de governos estaduais e pré-candidatos. O ex-presidente também recebeu a visita de Darren Beattie, assessor de Donald Trump, em um momento de discussão sobre a classificação de facções criminosas brasileiras.
A Polícia Federal confirmou a intensa atividade política de Bolsonaro na prisão. Recentemente, seus advogados solicitaram a transferência para o regime de prisão domiciliar, mas o pedido foi negado por Moraes, que destacou a quantidade de visitas recebidas pelo ex-presidente.
Bolsonaro completará dois meses preso no dia 15 de março. Sua rotina na penitenciária é regrada, com visitas às quartas e sábados, e atividades como assistir televisão e fazer exercícios.

