Cenipa deve recomendar troca de peça em ATR após queda de avião em Vinhedo

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) deve recomendar a substituição de uma peça em aeronaves da fabricante ATR. A recomendação deve constar no relatório final sobre o acidente com o voo 2283 da Voepass, ocorrido em Vinhedo em agosto de 2024.

A peça em questão está relacionada ao sistema anti-gelo da aeronave. Especialistas destacam que esse sistema é um dos principais pontos analisados na investigação desde o início do caso. O relatório preliminar do Cenipa já havia apontado falhas no sistema de degelo das asas (airframe de-icing) do ATR-72 da Voepass.

Registros da cabine indicam que os pilotos relataram problemas e acionaram o sistema responsável por quebrar o gelo nas asas ao menos três vezes durante o voo. Fontes com acesso às conclusões da investigação técnica afirmam que a recomendação de segurança será uma medida preventiva voltada a operadores do modelo.

Esse tipo de orientação é comum em relatórios do Cenipa e visa reduzir riscos operacionais, evitando que falhas semelhantes contribuam para novos acidentes. O relatório final do Cenipa deve ser divulgado entre abril e maio de 2026.

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Após a conclusão da investigação técnica, a Polícia Federal, que conduz um inquérito paralelo para apurar eventuais responsabilidades criminais, também deverá apresentar seu relatório sobre o caso.

O trabalho do Cenipa é técnico e preventivo, com o objetivo de identificar fatores que contribuíram para o acidente e emitir recomendações de segurança para fabricantes, companhias aéreas e autoridades da aviação civil. Quando uma recomendação envolve componentes de aeronaves, o impacto pode se estender além da companhia aérea envolvida no acidente.

O acidente ocorreu com um ATR 72-500 operado pela Voepass, que realizava o voo 2283, partindo de Cascavel, no Paraná, com destino ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. No dia 9 de agosto de 2024, o avião caiu em Vinhedo, resultando na morte de 62 pessoas — 58 passageiros e 4 tripulantes — sem sobreviventes.

A passageira mais jovem era Liz Ibba dos Santos, que viajava com o pai. O acidente se tornou uma das maiores tragédias da aviação brasileira nos últimos anos, com a aeronave perdendo altitude e colidindo em uma área residencial da cidade. Desde então, o Cenipa conduz a investigação técnica para esclarecer os fatores que contribuíram para o acidente e apresentar medidas que possam aumentar a segurança das operações aéreas.

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