A Petrobras anunciou que vai aderir ao programa federal para baratear o óleo diesel. A decisão ocorre em meio à pressão nos preços do combustível devido à alta do petróleo, que se intensificou com o início da guerra dos Estados Unidos contra o Irã.
No dia 12 de março, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentaram três medidas provisórias. Essas medidas isentam os combustíveis da cobrança de PIS e Cofins e criam um programa de subvenção ao diesel, com o objetivo de reduzir o preço na bomba em até 64 centavos por litro.
A subvenção para o diesel, estabelecida pela MP 1.340, será aplicada tanto para importadores quanto para produtores locais. O subsídio será de 32 centavos por litro, e as empresas que aderirem ao programa devem garantir que o valor será totalmente repassado ao consumidor.
““Diante do caráter facultativo do programa e do potencial benefício adicional, entende-se que essa adesão é compatível com o interesse da companhia”, afirmou a Petrobras em comunicado ao mercado.”
A assinatura do termo de adesão pela Petrobras dependerá da publicação, pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, dos critérios para definir o preço de referência do diesel. Sem esses critérios, a operacionalização da MP não será possível.
A Petrobras também ressaltou que mantém sua estratégia comercial, considerando sua participação no mercado, a otimização dos ativos de refino e a rentabilidade de maneira sustentável. A empresa busca evitar o repasse da volatilidade das cotações internacionais e da taxa de câmbio para os preços internos.
Desde o agravamento do conflito entre americanos, israelenses e iranianos, o preço do petróleo subiu da faixa de 60 dólares por barril para mais de 100 dólares. Essa alta impacta a inflação, o que preocupa o governo e analistas.
O cenário é ainda mais delicado, pois os brasileiros elegerão em outubro o próximo presidente da República. A disputa já mostra sinais de polarização entre Lula, que busca seu quarto mandato, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), indicado por Jair Bolsonaro para mobilizar seu capital político.
A pressão do petróleo sobre os preços dos combustíveis e dos fretes marítimos leva analistas a cogitar que o Comitê de Política Monetária do Banco Central pode decidir manter a taxa Selic em 15% ao ano na próxima reunião, marcada para os dias 17 e 18 de março. Antes do conflito no Oriente Médio, o mercado esperava que o Copom iniciasse cortes na Selic na próxima semana.


