Canetas emagrecedoras: inovação ou obsessão pela magreza?

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Medicamentos análogos do GLP-1, como a semaglutida, têm gerado discussões sobre suas implicações na saúde e na estética. Esses medicamentos, inicialmente desenvolvidos para controle glicêmico, tornaram-se populares como ‘canetas milagrosas’ para perda de peso.

A semaglutida, que ajuda a sinalizar ao organismo a liberação de insulina e a redução do apetite, ultrapassou as indicações clínicas e agora é utilizada por pessoas que buscam emagrecimento estético, levantando questões éticas e sociais.

Embora esses medicamentos sejam ferramentas importantes em muitos casos clínicos, sua popularidade pode alimentar a ideia de que todos os problemas relacionados à alimentação e ao peso podem ser resolvidos rapidamente. Isso pode encobrir a complexidade psíquica da obesidade.

A preocupação central é o uso desses medicamentos por pessoas sem indicação clínica, o que pode reforçar ideais de perfeição prejudiciais e contribuir para transtornos alimentares. O uso estético da semaglutida pode criar um ambiente propício para o surgimento de novos problemas alimentares.

Dados do Gallup National Health and Well-Being Index indicam que a taxa de obesidade nos Estados Unidos caiu de 39,9% em 2022 para 37,0% em 2025, uma redução de aproximadamente 7,6 milhões de casos, coincidindo com o aumento do uso de análogos do GLP-1.

No entanto, a insatisfação corporal e os transtornos alimentares também aumentam, especialmente com a influência das redes sociais, que intensificam a comparação social e a auto objetificação. A queda da obesidade e o aumento dos transtornos alimentares são sintomas de uma cultura que patologiza tanto o excesso quanto a falta de peso.

A história dos medicamentos para obesidade é repleta de lições. Desde a década de 1930, substâncias como anfetaminas foram amplamente prescritas, mas banidas após graves efeitos adversos. Embora os análogos do GLP-1 não tenham apresentado os mesmos problemas até agora, organizações de saúde já alertam sobre o uso indevido entre pessoas com transtornos alimentares.

““Quando um tratamento importante se torna a ‘caneta milagrosa’ para deixar todo mundo no padrão estético vigente, corremos o risco de transformar uma boa alternativa farmacológica em instrumento de performance”, afirmam especialistas.”

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