O Magazine Luiza anunciou um lucro líquido ajustado de R$ 125 milhões no quarto trimestre de 2025, representando uma queda de 10,5% em comparação ao mesmo período do ano anterior. A empresa atribuiu esse resultado aos juros elevados, conforme declarado nesta quinta-feira (13).
“Conseguimos, com toda nossa diversificação de negócios, mitigar o efeito da taxa de juros, mas tivemos um aumento significativo no ano passado. Foi amortecido, mas não somos totalmente imunes”, afirmou a diretora de Relações com Investidores, Vanessa Rossini, em entrevista.
A taxa Selic atualmente está em 15% ao ano. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado foi de R$ 867 milhões, um aumento de 2,5% em relação ao quarto trimestre de 2024. Analistas esperavam um Ebitda de R$ 793 milhões, segundo dados da LSEG.
A receita líquida nos últimos três meses do ano alcançou R$ 11,2 bilhões, um crescimento de 3,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Contudo, as vendas totais, que incluem lojas físicas, e-commerce com estoque próprio e marketplace, apresentaram uma queda de 1,1%, totalizando R$ 18,2 bilhões.
“A dinâmica de vendas está amarrada ao nosso foco na rentabilidade e geração de caixa”, destacou Rossini. As vendas de comércio eletrônico caíram 5,3%, enquanto as do marketplace recuaram 11,7%. Em contrapartida, as lojas físicas da rede registraram um crescimento de 8,7% nas vendas, atribuído à menor competitividade no segmento.
“Temos um cenário muito mais competitivo no e-commerce. O mercado de loja física não cresce 9% como ele (e-commerce)”, disse a diretora. Apesar da queda nas vendas online, a parceria com a plataforma de marketplace chinesa AliExpress continua sendo bem avaliada pela companhia. “Parceria com o AliExpress tem sido um sucesso. Traz tráfego e vendas. Rentabilidade e reciprocidade são pilares para parcerias”, afirmou Rossini.
Para 2026, a empresa seguirá um novo ciclo estratégico focado em inteligência artificial, aceleração das vendas por meio de plataformas parceiras, ampliação de multicanalidade e fortalecimento dos serviços financeiros. “As metas do ano estão amarradas nos pilares do ciclo estratégico. Mantemos focos em rentabilidade e geração de caixa no curto prazo”, disse a diretora.
A companhia se mostra otimista para 2026, considerando o aumento da renda dos consumidores devido à isenção do imposto de renda para famílias com renda de até R$ 5 mil, além da expectativa de início do ciclo de queda de juros e a proximidade da Copa do Mundo, que a empresa vê como “historicamente favorável” para vendas de bens duráveis e itens esportivos. “Expectativa de queda de juros é muito favorável, mas se não cair temos um modelo de negócio resiliente que suporta cenário”, concluiu Rossini.


