O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, confirmou nesta sexta-feira (13) pela televisão nacional que funcionários do governo dialogaram com os Estados Unidos para buscar soluções ao embargo imposto à ilha, considerado pelos cubanos um bloqueio econômico.
“Há fatores internacionais que facilitaram essas conversas”, disse Díaz-Canel, acrescentando que o objetivo principal do diálogo é “identificar quais são os problemas bilaterais que precisam de solução”. Na transmissão, Raúl Guillermo Rodríguez Castro, conhecido como “el Cangrejo” e neto de Raúl Castro, aparecia sentado atrás de Díaz-Canel, reforçando a importância atribuída às negociações.
Em entrevista coletiva, o presidente descreveu o processo como “muito sensível” e que está sendo tratado “com responsabilidade e muita sensibilidade”. “Expressamos nossa vontade de continuar o processo sob os princípios de igualdade, respeito aos sistemas políticos de ambos os países, à soberania e à autodeterminação”, afirmou Díaz-Canel.
Ao comentar sobre a situação crítica na ilha, ele destacou que isso “tem a ver com o bloqueio energético” imposto pelos Estados Unidos, principal causa dos problemas. “É uma situação para a qual nos preparávamos de antemão”, afirmou, lembrando que “há três meses não entra combustível no país”.
Díaz-Canel explicou que o bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos, intensificado após uma operação militar na Venezuela que resultou na captura de Nicolás Maduro em Caracas, interrompeu o envio de petróleo venezuelano à ilha e agravou a crise energética.
O presidente cubano afirmou que as conversas com Washington foram conduzidas por ele, pelo ex-presidente Raúl Castro e por alguns membros do Partido Comunista cubano, sem detalhar quem participou pelo lado americano. A confirmação desses diálogos ocorre após o próprio presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar em várias ocasiões que Washington mantinha conversas com representantes cubanos.
Sobre os impactos do bloqueio, Díaz-Canel disse que “o impacto é tremendo” e se manifesta de forma mais aguda na crise energética, provocando angústia na população. Ele citou efeitos na produção, nas comunicações, nos serviços de saúde e educação, além do impacto no transporte.
“Não se apaga nada aqui porque se queira incomodar ninguém”, afirmou, agradecendo o trabalho dos funcionários da União Elétrica, muitos deles trabalhando mais de 40 horas sem descanso. Em meio às críticas à gestão governamental, Díaz-Canel lamentou que algumas respostas tenham sido injuriosas à Revolução e ao governo, reiterando que, em sua avaliação, “a culpa não é do Governo, nem da Revolução — a culpa é do bloqueio energético imposto a nós”. Ele também destacou que “há dezenas de milhares de pessoas esperando por operações que não podem ser realizadas devido à falta de energia elétrica”.

