A endometriose afeta mais de sete milhões de mulheres no Brasil, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A condição pode levar anos para ser diagnosticada e afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo, totalizando aproximadamente 190 milhões de pessoas.
A doença compromete a qualidade de vida, impactando relações afetivas, desempenho profissional, sono, humor e vida sexual. Além da infertilidade, a endometriose pode atingir órgãos como intestino e bexiga, causando sintomas que muitas vezes são confundidos com outras condições clínicas.
A endometriose ocorre quando tecidos semelhantes ao endométrio se desenvolvem fora da cavidade uterina, provocando uma reação inflamatória crônica. Durante o Março Amarelo, campanha mundial de conscientização, o tema ganha destaque, buscando ampliar a informação sobre os sintomas e incentivar o diagnóstico precoce.
De acordo com o ginecologista da Unimed Cuiabá, Dalton Ferreira, os primeiros sinais da doença podem surgir na adolescência, logo após o início da menstruação. “Existem estudos que mostram casos em que a doença foi identificada até mesmo durante autópsias de fetos, ou seja, a mulher pode já nascer com a predisposição”, explica.
O especialista alerta que cólicas menstruais intensas que não melhoram com analgésicos comuns devem ser investigadas. No Brasil, a endometriose é considerada uma doença subdiagnosticada, com o diagnóstico levando entre sete e nove anos para ser confirmado. Fatores imunológicos, ambientais e genéticos podem estar envolvidos na sua causa.
A investigação inicial geralmente começa com uma ultrassonografia, podendo ser indicada também a ressonância magnética da pelve ou uma ultrassonografia específica para endometriose. Embora não tenha cura definitiva, a doença pode ser tratada e acompanhada ao longo da vida reprodutiva da paciente, com cirurgia indicada em alguns casos.
Os sintomas incluem cólicas intensas, alterações intestinais, sintomas urinários, dor durante relações sexuais e alterações no ciclo menstrual. O ginecologista ressalta que a gravidez pode contribuir para a melhora dos sintomas, mas não cura a endometriose. Mulheres com a condição podem ter uma gestação sem grandes riscos, desde que não apresentem outras doenças associadas.


