Dois exemplares do raro peixe-remo (Regalecus glesne) foram encontrados recentemente nas areias de Cabo San Lucas, no México. O registro, feito por turistas e divulgado pela influenciadora Monica Pittenger, chamou a atenção pela aparência incomum do animal e pela crença de que sua aparição poderia anunciar terremotos ou tsunamis.
Pesquisadores afirmam que a relação entre o peixe-remo e desastres naturais é uma falácia. O ictiólogo e pesquisador Oscar Miguel Lasso-Alcalá explica que análises científicas não encontraram correlação estatisticamente relevante entre registros de aparições do peixe e dados sísmicos.
O peixe-remo é considerado o peixe ósseo mais longo do planeta, com um corpo prateado e alongado que lembra uma fita metálica. Ele vive na zona mesopelágica, entre 200 e 1.000 metros de profundidade. Segundo Lasso-Alcalá, esses peixes têm adaptações específicas para suportar a pressão do abismo, mas não são bons nadadores.
O mito de que o peixe-remo é um mensageiro de desastres vem do folclore japonês, onde é chamado de Ryugu no Tsukai. Um estudo publicado no Bulletin of the Seismological Society of America analisou 336 registros de aparições no Japão e concluiu que a relação com terremotos é ilusória.
O que traz esses animais à costa são fenômenos como a ressurgência costeira, que ocorre quando ventos empurram águas superficiais e permitem que águas profundas subam rapidamente. Essas correntes podem arrastar espécies que vivem na coluna d’água.
Outra característica intrigante do peixe-remo é a autotomia, a habilidade de perder partes do corpo para sobreviver, embora não as regenere. Assim, o peixe-remo não é um mensageiro de desastres, mas um visitante inesperado que revela o lado mais desconhecido do oceano.
Detalhes do peixe-remo:
Nome Científico: Regalecus glesne e Regalecus russellii
Comprimento: Até 15 metros em casos raros
Musculatura: Tecido com textura branda
Alimentação: Filtrador, se alimenta de zooplâncton e pequenos crustáceos

