O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e líderes europeus criticaram o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta sexta-feira, 13, após a decisão de suspender temporariamente as sanções ao petróleo russo. A medida visa reduzir os preços do barril, que dispararam devido à guerra contra o Irã.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, anunciou a suspensão na noite de quinta-feira, permitindo a entrega e venda de petróleo russo retido em alto mar. Zelensky afirmou: “A suspensão das sanções significa que (a Rússia) receberá mais dinheiro e haverá mais ataques com drones (no Oriente Médio). Não é muito lógico.”
O presidente ucraniano fez essas declarações em coletiva de imprensa em Paris, ao lado do presidente francês, Emmanuel Macron. Ele destacou que a Rússia, aliada do Irã, receberá recursos para sua máquina de guerra, o que pode intensificar a desestabilização no Oriente Médio.
A decisão dos Estados Unidos ocorre em um contexto de ataques conjuntos contra o Irã, que interromperam o trânsito no Estreito de Ormuz, elevando os preços do petróleo acima de US$ 100 pela primeira vez em quatro anos. Para conter a crise nos mercados globais, Washington autorizou a venda temporária de petróleo russo.
A União Europeia também criticou a medida. O chanceler alemão, Friedrich Merz, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmaram que a suspensão das sanções mina o apoio à Ucrânia. Merz declarou: “Aliviar as sanções agora, por qualquer motivo, seria errado.”
António Costa acrescentou que a decisão dos Estados Unidos impacta a segurança europeia e que a Rússia é a única beneficiária da situação atual. Ele enfatizou: “Qualquer medida que permita à Rússia aumentar suas receitas com a venda de petróleo seria problemática.”
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pediu que o teto de preços do petróleo russo seja mantido e que as sanções sejam preservadas. Macron também se manifestou, afirmando que um retrocesso nas sanções seria injustificado.
A licença concedida pelos Estados Unidos permitirá que importadores comprem petróleo russo embarcado a partir de 12 de março, com desembarque autorizado até 11 de abril. Essa medida segue uma isenção similar concedida à Índia no final de fevereiro.


