O papa Leão XIV sugeriu nesta sexta-feira, 13 de março de 2026, que líderes mundiais cristãos responsáveis por iniciar conflitos armados deveriam se confessar e avaliar se governam segundo os ensinamentos de Jesus Cristo. A declaração foi feita durante um discurso no 36º Curso sobre o Foro Interno na Cidade do Vaticano.
Embora o pontífice não tenha nomeado líderes específicos, ele intensificou seus pedidos para o fim da guerra entre a coalizão formada por Estados Unidos e Israel contra o Irã. “Aqueles cristãos que carregam grande responsabilidade em conflitos armados têm humildade e coragem para fazer um exame sério de consciência e ir à confissão?”, questionou o chefe da Igreja Católica, ressaltando que a prática promove a paz e a unidade na sociedade.
A declaração de Leão XIV ocorreu após o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmar que a ação militar de Washington seria “apoiada por Deus”. O presidente americano, Donald Trump, foi criado como um cristão presbiteriano, e vários de seus principais secretários, incluindo o titular do Departamento de Estado, Marco Rúbio, e o vice-presidente, JD Vance, são católicos.
Historicamente, a Igreja Católica avalia hostilidades a partir do conceito de guerra justa, que utiliza critérios para definir se um conflito é moralmente justificável. O arcebispo de Washington, Robert McErlroy, declarou que a ofensiva contra o Irã “não é moralmente legítima”, pois não atende aos critérios de guerra justa da Santa Sé.
O conflito no Oriente Médio começou em 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado americano-israelense atingiu diferentes áreas do território iraniano e resultou na morte do líder supremo do país, Ali Khamenei. Desde então, a região se tornou um barril de pólvora, com ataques registrados em Israel, Líbano, Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Informações da Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos indicam que mais de 1.200 civis morreram no Irã desde o início da guerra, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) reporta pelo menos 634 mortes no Líbano, que foi arrastado para o conflito devido a ataques contra Israel da milícia pró-iraniana Hezbollah.
Na quarta-feira, 11 de março, Leão XIV expressou pesar pelo cenário em ambas as nações e afirmou que a população libanesa está passando por uma “grande provação”.


