Uma greve de rodoviários paralisou o sistema urbano de ônibus em São Luís na manhã desta sexta-feira (13), deixando milhares de usuários sem transporte. A situação gerou dificuldades para quem precisa se deslocar para compromissos diários.
O movimento, que é a segunda greve em menos de três meses, foi motivado pelo atraso no pagamento do reajuste salarial, conforme informou o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Maranhão (Sttrema). A Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) afirmou que os repasses de subsídios às empresas estão em dia, mas as empresas não garantiram os direitos dos trabalhadores.
O sistema semiurbano, que atende os municípios de São José de Ribamar, Raposa e Paço do Lumiar, continua operando, mas sem entrar nos Terminais de Integração. Usuários do transporte público estão recorrendo a ônibus do sistema semiurbano e a aplicativos de transporte alternativo, que estão cobrando tarifas mais altas.
““É complicado demais, não está tendo ônibus e a gente precisa ir para o serviço. É muito complicado. Toda vez que tem essa greve é desse jeito essa situação, nós que pagamos por isso”, disse o comerciário Jackson Conceição.”
Além disso, muitos usuários relataram que precisaram abrir mão de compromissos devido à falta de transporte. A estudante Ryara Alves comentou sobre a situação:
““Eu ia deixar ela na escola, mas quando eu vi, é isso aqui. É um descaso com a população que precisa trabalhar, precisa estudar, é complicado demais.””
A greve ocorre em meio a uma sequência de problemas no transporte coletivo de São Luís. O presidente do Sttrema, Marcelo Brito, afirmou que nenhum rodoviário recebeu o salário com aumento acordado na última paralisação, conforme determinado pelo Tribunal Regional do Trabalho.
Conforme apuração, cerca de 300 funcionários de uma das empresas do sistema não trabalharam, e as garagens amanheceram com ônibus parados. A Prefeitura de São Luís, por sua vez, liberou vouchers em um aplicativo de transporte para minimizar os impactos da greve.
A SMTT informou que cumpre regularmente suas obrigações financeiras e que os repasses estão sendo feitos em dia. No entanto, a Prefeitura ingressou com uma ação na Justiça do Trabalho pedindo a declaração de abusividade da greve.
O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) afirmou que o subsídio pago pela Prefeitura é o mesmo desde janeiro de 2024, apesar dos reajustes salariais e aumento nos custos do serviço. O SET também mencionou que está cooperando com as investigações do Ministério Público do Maranhão sobre falhas no transporte coletivo.
O MP-MA abriu um inquérito civil para investigar as falhas no serviço de transporte, que inclui a análise de documentos e informações sobre as linhas e custos do sistema. Nos últimos seis anos, São Luís enfrentou diversas paralisações, sendo a mais longa em 2022, que durou 43 dias.

