A produção industrial da zona do euro apresentou uma queda inesperada de 1,5% em janeiro, conforme dados divulgados pela Eurostat nesta sexta-feira, 13 de março de 2026. Essa redução lança dúvidas sobre a recuperação do setor, especialmente em um contexto de aumento recente nos custos de energia, que pode impactar a demanda.
As expectativas apontavam para um crescimento de 0,6%, mas a realidade mostrou um recuo de 1,2% em comparação ao ano anterior, enquanto a previsão era de um aumento de 1,4%, segundo uma pesquisa da Reuters com economistas.
A indústria na zona do euro enfrenta estagnação há anos, com a produção ainda abaixo dos níveis de 2021. Fatores como altos custos de energia, concorrência acirrada da China, tarifas dos Estados Unidos, crescimento fraco da produtividade e baixa demanda global por carros europeus têm prejudicado o bloco.
A produção na Alemanha, maior economia da zona do euro e principal fabricante de automóveis, está 9% abaixo do nível de 2021 e apresenta uma tendência de queda contínua, mantendo a economia alemã estagnada nos últimos três anos.
Embora houvesse expectativas de recuperação para a indústria da zona do euro neste ano, impulsionadas por gastos do governo alemão em defesa e infraestrutura, o recente aumento nos custos de energia gera incertezas sobre essa recuperação.
Os preços do petróleo subiram cerca de dois terços desde o início do ano, enquanto os custos do gás natural avançaram cerca de 80%, em parte devido à guerra entre os EUA e Israel com o Irã. Essa situação representa um golpe duplo para o setor, pois eleva os custos e reduz o poder de compra.
A Europa, sendo um importador de energia, tem uma indústria nacional especialmente sensível a choques nos preços das commodities, uma vez que o bloco possui relativamente poucos recursos naturais.


