O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 13 de março de 2026, que o país poderá escoltar navios petroleiros que atravessam o Estreito de Ormuz, caso a situação de segurança na região continue a se deteriorar.
A declaração foi feita em entrevista à emissora conservadora Fox News. Trump destacou que essa medida poderá ser adotada para garantir a circulação de embarcações em uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o comércio de energia.
O presidente também expressou a expectativa de que a ofensiva militar liderada pelos EUA avance rapidamente e ameaçou intensificar os ataques contra o Irã nos próximos dias.
““Faríamos isso se fosse necessário. Mas espero que as coisas corram muito bem. Vamos ver o que acontece”, disse Trump.”
Ele acrescentou que Washington pretende aumentar a pressão militar contra Teerã, afirmando:
““Vamos atacá-los com muita força na próxima semana””
, sem fornecer mais detalhes.
Na véspera, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou à emissora CNBC que, embora a Marinha dos Estados Unidos ainda não realizasse escoltas na região, era “bastante provável” que esse tipo de operação começasse até o fim do mês.
Wright também avaliou que, apesar da escalada das tensões, é improvável que o preço do petróleo chegue a US$ 200, como ameaçou Teerã.
Companhias de navegação e operadores de petroleiros têm evitado atravessar o Estreito de Ormuz, onde passam 20% do petróleo e gás consumidos mundialmente. A redução no fluxo marítimo já provoca preocupação com possíveis impactos no abastecimento energético global.
Um levantamento divulgado pela empresa britânica de dados marítimos Lloyd’s List Intelligence revelou que menos de 80 navios atravessaram o estreito desde o início da guerra no Oriente Médio, que começou em 28 de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o território iraniano.
Segundo a companhia, boa parte das travessias registradas foi feita por embarcações da chamada “frota fantasma”, que envolve navios que buscam contornar sanções internacionais ou reduzir custos com seguros.
Do lado iraniano, o novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, afirmou que o tráfego na região deve permanecer severamente restrito, considerando essa medida uma forma de pressionar os adversários.
Desde 1º de março, ao menos 20 navios comerciais, incluindo nove petroleiros, relataram ataques ou incidentes na região, conforme a agência marítima britânica UKMTO.
A Organização Marítima Internacional confirmou 16 ocorrências, metade delas envolvendo embarcações que transportam petróleo. Na quarta-feira, pelo menos quatro navios foram atacados nas proximidades do Estreito de Ormuz.
Um porta-contêineres e dois cargueiros foram atingidos por “projéteis desconhecidos”. A Marinha da Tailândia também informou que um graneleiro com bandeira do país foi alvo de disparos enquanto transitava pela região, com todos os 20 tripulantes resgatados.
Autoridades do Iraque relataram que dois navios foram atingidos por embarcações carregadas com explosivos, resultando na morte de uma pessoa. A empresa de energia Vitol confirmou ser proprietária das embarcações e que a vítima estava a bordo do navio Safesea Vishnu.
Em outro incidente, um porta-contêineres da Hapag-Lloyd foi atingido por fragmentos de projéteis nas proximidades dos Emirados Árabes Unidos, mas todos os tripulantes estão em segurança.
O Estreito de Ormuz é considerado um dos pontos mais sensíveis do comércio global de energia, conectando o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e encurtando a rota de fornecimento para a Ásia e o Ocidente. Qualquer ameaça à navegação na região tende a provocar fortes reações nos mercados internacionais.

