O ritmo de negócios com soja nos portos brasileiros foi afetado esta semana por novos protocolos de exigências fitossanitárias, que impactaram os embarques para a China. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (13) por uma análise do centro de estudos Cepea, da Esalq/USP.
Os novos protocolos levaram a Cargill, a principal exportadora de soja do Brasil, a suspender embarques para a China. Paulo Sousa, presidente da Cargill no Brasil, confirmou a suspensão à Reuters nesta semana. Os controles fitossanitários mais rigorosos estão ameaçando reduzir os suprimentos de soja brasileira para o maior importador do mundo, conforme afirmaram representantes do mercado na China.
Outras empresas exportadoras não se manifestaram sobre o assunto, solicitando que a Reuters procurasse as entidades representativas. Na quinta-feira (12), a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) informaram que estão acompanhando com preocupação os desdobramentos relacionados aos embarques de soja destinados ao mercado chinês.
O Ministério da Agricultura do Brasil declarou que a exportação de soja brasileira e seus derivados segue as normas e protocolos estabelecidos pelos países importadores, referindo-se às exigências da China. O Cepea destacou que esse cenário resultou na devolução de cargas destinadas à exportação nos últimos dias.
Além disso, o Cepea observou que, diante das incertezas, parte dos agentes do mercado passou a priorizar negociações internas em vez de exportações, até que haja maior clareza sobre as novas exigências. Apesar disso, os indicadores de preços do Cepea para o Paraná e Paranaguá registraram altas de 0,9% e 1% entre 5 e 12 de março, respectivamente.
A análise do Cepea também indicou que a valorização externa sustentou a paridade de exportação e ajudou a manter as cotações da soja no Brasil nesta semana.

