A Corregedoria da Polícia Militar do estado de São Paulo investiga o tenente-coronel da PM, Geraldo Leite Rosa Neto, após denúncias de perseguição, intimidação e ameaças contra sua esposa, a soldado da PM Gisele Alves Santana. O inquérito foi aberto em 20 de fevereiro, dois dias após a morte da policial, e cita indícios de possíveis infrações penais militares.
O relacionamento entre o oficial e a policial era descrito como conturbado. O inquérito civil tramita no 8º Distrito Policial (Brás), que já realizou oitivas e solicitou laudos periciais complementares. Esses laudos serão anexados aos autos assim que forem concluídos.
Segundo o documento, no dia 18 de fevereiro, data da morte, houve uma discussão entre o casal antes do disparo que matou Gisele dentro do apartamento onde moravam, no bairro do Brás, em São Paulo. Após a discussão, Gisele teria feito um disparo contra a própria cabeça com a arma do marido, conforme a versão inicial relatada pelo tenente-coronel.
No entanto, o documento registra que as circunstâncias da morte devem ser apuradas em inquérito policial militar para esclarecer possíveis crimes. A portaria menciona uma denúncia anônima que alega que o oficial apresentava instabilidade emocional e protagonizava episódios recorrentes de perseguição e ameaças contra a policial.
O relato afirma que Gisele vivia em estado de apreensão e medo, e que testemunhas teriam presenciado situações semelhantes. Com base nesses elementos, o comandante responsável determinou a instauração do inquérito para a apuração dos fatos, citando indícios de infrações penais militares.
A morte da policial, de 32 anos, ocorreu na manhã de 18 de fevereiro. Inicialmente tratada como suicídio, a ocorrência passou a ser investigada como morte suspeita, e a Justiça encaminhou o caso ao Tribunal do Júri, que investiga crimes contra a vida, como feminicídio. As investigações também analisam inconsistências na cronologia do ocorrido.
Uma testemunha relatou ter ouvido um estampido às 7h28, mas o acionamento oficial da polícia pelo marido da vítima ocorreu apenas às 8h01, uma diferença de cerca de 33 minutos. Familiares e pessoas próximas à policial relataram que o relacionamento do casal era marcado por conflitos e controle excessivo, com o oficial restringindo comportamentos da esposa e monitorando suas redes sociais.
A perícia identificou lesões na face e no pescoço da policial, descritas como marcas compatíveis com pressão de dedos e arranhões, o que reforçou dúvidas sobre a versão inicial de suicídio. O inquérito policial militar segue em andamento, enquanto a Polícia Civil conduz a investigação criminal sob segredo de Justiça.
A Polícia Militar afirma que não compactua com irregularidades e que, caso seja constatada qualquer ilegalidade, todas as medidas cabíveis serão adotadas. O tenente-coronel nega qualquer participação na morte da esposa e afirma que ela tirou a própria vida. A defesa do oficial afirma que ele não figura como investigado, suspeito ou indiciado no procedimento formal e que tem colaborado com as autoridades competentes.


