Genro do prefeito de Manaus é investigado por suposta compra de votos

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A Polícia Federal (PF) investiga Gabriel Alexandre da Silva Lima, genro do prefeito de Manaus, David Almeida, por suposta intermediação na compra de votos com lideranças religiosas durante as eleições municipais de 2024.

Um laudo da PF revela que Gabriel teria atuado como intermediador em negociações com líderes da Igreja Pentecostal Unida do Brasil (IPUB). A investigação se baseia em perícias de celulares apreendidos em 2024, que continham mensagens, áudios e arquivos relacionados ao caso.

Entre os celulares analisados, um pertence ao pastor Flaviano Negreiros, onde foram encontradas conversas com um contato salvo como “Gabriel Davi Almeida”. A PF identificou mensagens diretas e áudios em que pastores discutem valores e apoio político. Um trecho da perícia cita um pedido para o envio de R$ 80 mil, com um pastor afirmando:

““Se o senhor pudesse enviar todo aquele valor, os oitenta mil, para nós já dividir com todo mundo, para todo mundo se animar.””

Os investigadores consideram que a mensagem sugere que o dinheiro seria distribuído entre pastores e obreiros para estimular apoio político. Além disso, a perícia indica que um pagamento teria ocorrido no primeiro turno, mas o valor não foi especificado.

Em outro áudio, um pastor menciona a necessidade de contatar Gabriel para resolver o pagamento prometido:

““Tem que ligar para o Gabriel para ver essa situação. Quem prometeu foi o Gabriel dar o restante do valor.””

Isso reforça a hipótese de uma negociação financeira em troca de apoio eleitoral.

Gabriel também teria solicitado apoio na divulgação da campanha. Em uma mensagem enviada a um grupo de pastores, um dos investigados relata:

““O Gabriel, genro do David Almeida, pediu para todos nós colocar o setenta no nosso WhatsApp, Facebook e Instagram.””

O número mencionado seria o eleitoral do candidato apoiado.

A perícia revelou contatos frequentes entre Gabriel e líderes da IPUB, incluindo Flaviano Negreiros. As conversas começaram em 25 de agosto de 2024, antes do primeiro turno das eleições. Um dos diálogos analisados mostra Flaviano convocando líderes religiosos para uma reunião com Gabriel, onde discutiram apoio eleitoral e valores a serem pagos pela influência nos votos.

A investigação sobre a compra de votos envolvendo David Almeida começou em 2024, após uma denúncia que levou à apreensão de celulares em 26 de outubro de 2024, véspera do segundo turno das eleições. Durante a operação, foram encontrados envelopes com R$ 21.650 em dinheiro, que, segundo pastores, faziam parte de R$ 38 mil recebidos de uma pessoa ligada à campanha de Almeida.

Dois dirigentes da igreja foram presos em flagrante e liberados após pagamento de fiança. A PF solicitou acesso ao conteúdo dos celulares, e o juiz eleitoral autorizou, mas não definiu um prazo para a análise. Especialistas criticam a demora, afirmando que a legislação eleitoral exige a conclusão de processos em um ano.

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