A ONU manifestou preocupação com o uso da água como arma no conflito no Oriente Médio. O alerta foi feito em meio a ataques a usinas de dessalinização, essenciais para o abastecimento de água na região.
O Serviço Secreto Americano, a CIA, classificou a água como a “mercadoria estratégica” do Oriente Médio, destacando sua importância em países com escassez de recursos hídricos. No Golfo Pérsico, a água potável é obtida principalmente por meio de usinas de dessalinização, que já se tornaram alvos de ataques.
Recentemente, o Irã acusou os Estados Unidos de atingir uma usina na ilha de Qeshm, afetando o abastecimento de água para 30 comunidades. Em resposta, o Bahrein acusou o Irã de danificar uma instalação de dessalinização. O porta-voz do Secretário-Geral da ONU afirmou que a Organização Mundial da Saúde está monitorando os impactos desses ataques.
Antes do início do conflito, a região já enfrentava problemas de abastecimento de água. Michael Gremillion, especialista em segurança hídrica, destacou que Teerã estava próximo do “dia zero”, quando não haveria mais água disponível na capital. Ele alertou que novos ataques a usinas são possíveis, o que poderia gerar insegurança alimentar.
Atualmente, o Kuwait obtém cerca de 90% da água potável de usinas de dessalinização, enquanto a Arábia Saudita e o Catar dependem de 70% e 60%, respectivamente. O ministro de Relações Exteriores do Bahrein, Majed Al-Ansari, enfatizou que atacar infraestrutura essencial, como instalações de tratamento de água, representa um grande perigo e pode levar a uma catástrofe humanitária.
Analistas afirmam que a água pode se tornar uma mercadoria geopolítica decisiva no conflito. Um documento do Serviço Secreto Americano de 1980 já indicava que altos funcionários de alguns países consideram a água mais importante que o petróleo para o bem-estar nacional.


