A Polícia Civil do Pará investiga a conduta do delegado Carlos Guilherme Santos Machado, que atua em Abaetetuba, após a divulgação de mensagens em um grupo de conversas. Ele é acusado de ofensas, principalmente a mulheres, por uma servidora que preferiu não se identificar.
A servidora afirmou: ‘Era do conhecimento geral dos servidores da delegacia que ele tinha comportamentos de ofender algumas pessoas, mulheres. Não tomavam providências por medo, pelo fato de que ele era um delegado. Estou com medo, mas foi necessário ter coragem para não deixar continuar’.
Em um comentário sobre um possível café da manhã para o Dia Internacional da Mulher, o delegado respondeu: ‘café da manhã não garanto, mas se quiser uma pia cheia de louças, a gente providencia. É pra ‘vcs’ se sentirem em casa nesse dia especial’. A servidora declarou que se sentiu ofendida: ‘Não fomos tratadas como iguais, fomos tratadas de uma forma, ao meu entender e das minhas colegas, extremamente misógina’.
A Corregedoria da Polícia Civil instaurou um procedimento administrativo para apurar a conduta do delegado. A defesa de Carlos Machado não se manifestou sobre as mensagens. Uma colega de trabalho defendeu: ‘É bem importante deixar claro que aquilo era um grupo de trabalho, um grupo funcional. Nós saímos todos os dias de nossas casas, deixamos nossos filhos, nossos maridos e nossas famílias para proteger a sociedade, tal qual ou muito mais do que ele’.
Apesar de atuar como delegado desde 2022, Carlos Machado possui antecedentes criminais na Paraíba. Ele foi condenado a 7 anos e 6 meses de prisão por atentado violento ao pudor, crime que atualmente integra o tipo penal de estupro. A condenação ocorreu após a vítima ser atraída sob um pretexto falso e submetida à violência sexual.
Mesmo após a condenação, o ex-promotor teve o direito de recorrer em liberdade. A defesa afirmou que ‘está convicta da inocência do Sr. Carlos Guilherme e trabalha ativamente para demonstrá-la nos autos’. A Polícia Civil do Pará ainda não foi notificada sobre a condenação.
Além da condenação, Carlos Machado perdeu o cargo de promotor em 2015 após atirar no pé do cunhado durante uma discussão familiar. Os incidentes na Paraíba levaram à abertura de processos criminais e administrativos contra ele.
Após deixar o Ministério Público da Paraíba, Carlos Guilherme Santos Machado ingressou na Polícia Civil do Pará, onde atua como delegado em Abaetetuba. Ele assumiu o cargo em 2022 por decisão judicial, mesmo após ser reprovado na investigação social do processo seletivo.


