A Polícia Federal (PF) revelou um esquema de fraudes em licitações e financiamento ilegal de campanhas eleitorais envolvendo o deputado federal Júnior Mano (PSB) e o ex-prefeito Bebeto Queiroz (PSB). O relatório foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) no final de janeiro de 2026.
O grupo criminoso, liderado por Bebeto Queiroz, que está foragido há mais de um ano, e por Júnior Mano, pré-candidato ao Senado, negociava emendas parlamentares e fraudes em prefeituras do Ceará. Bebeto era responsável por intermediar a destinação das emendas do deputado para prefeituras alinhadas ao grupo, cobrando uma taxa de 12 a 15% do valor das emendas.
As investigações indicam que Bebeto utilizava várias empresas com contratos em prefeituras para desviar recursos, que eram usados para enriquecimento ilícito e financiamento de campanhas eleitorais. O relatório menciona pelo menos dez empresas suspeitas, que receberam cerca de R$ 455,5 milhões entre janeiro de 2023 e janeiro de 2025.
Além de Júnior Mano e Bebeto, a PF identificou outras dez pessoas envolvidas, incluindo a irmã de Bebeto, Cleidiane Queiroz, e um assessor parlamentar de Júnior Mano, Adriano Almeida Bezerra.
A PF aponta crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e captação ilícita de sufrágio. Em julho de 2025, Júnior Mano foi alvo de uma operação da PF relacionada a fraudes em licitações. Bebeto Queiroz foi preso em novembro de 2024, mas foi solto após dez dias e permanece foragido.
A defesa de Júnior Mano afirmou que a investigação não encontrou provas relevantes contra ele e criticou o vazamento de informações sigilosas. A defesa de Bebeto Queiroz declarou que se manifestará nos autos do processo.
O esquema operava com a distribuição de emendas parlamentares e cobrança de retorno financeiro, com Bebeto orientando os proprietários das empresas sobre valores a serem enviados a políticos aliados. Conversas interceptadas mostram negociações de compra de votos para as eleições de 2024.
A investigação revelou que o município de Choró, base política de Bebeto, era o centro das operações, mas o esquema se estendia a diversas prefeituras do Ceará. As empresas envolvidas movimentaram mais de R$ 455 milhões, com a MK Serviços sendo a principal, controlada por Maurício Gomes Coelho.

