O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, propôs que o Brasil receba, em prisões brasileiras, estrangeiros capturados nos Estados Unidos. A proposta foi apresentada em um telefonema no dia 2 de dezembro de 2025, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutiu com Trump uma cooperação no combate ao crime organizado.
A proposta visa demonstrar o compromisso do Brasil em enfrentar organizações criminosas que atuam em diversos países, especialmente relacionadas ao narcotráfico. Na mesma semana, o Brasil apresentou um plano inicial de discussão, sugerindo que ambos os países trabalhassem juntos para coibir a lavagem de dinheiro e bloquear ativos ilícitos de criminosos brasileiros nos Estados Unidos, além de medidas contra o tráfico internacional de armas que abastece grupos como o Comando Vermelho e o PCC.
Após essas discussões, o Departamento de Estado americano e o Itamaraty iniciaram um trabalho conjunto. No início de janeiro de 2026, os Estados Unidos apresentaram uma contraproposta. Em 13 de março de 2026, uma reportagem revelou que o governo Trump reiterou a proposta de que o Brasil acolhesse estrangeiros capturados, semelhante ao que ocorre em El Salvador. Essa proposta foi rejeitada pelo Brasil.
A reportagem também destacou que os Estados Unidos desejam que o Brasil apresente um plano para combater o PCC, o Comando Vermelho, o Hezbollah e organizações criminosas chinesas em território brasileiro. O governo americano está considerando classificar o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas, o que permitiria a adoção de medidas unilaterais, incluindo o uso de força militar. O governo brasileiro se opõe a essa classificação para preservar sua soberania.
Recentemente, o tema foi discutido em um telefonema entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio. O Ministério das Relações Exteriores confirmou que as negociações com o governo dos Estados Unidos ainda estão em andamento e não comentará propostas em discussão.
O combate ao crime organizado e ao narcotráfico se tornou um dos principais tópicos para o encontro de Lula com Trump na Casa Branca, que estava previsto para março, mas deve ser adiado para abril devido à guerra no Irã.


