A morte do líder supremo do Irã, Ayatollah Ali Khamenei, durante ataques militares dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro, marca um momento crucial de transição para a República Islâmica desde sua ascensão ao poder em 1989.
Khamenei, que demonstrou pouca tolerância para dissidência interna, transformou o Irã em uma potência regional com aliados armados e proxies no Oriente Médio. Após sua morte, a continuidade tem sido a característica mais notável: mísseis iranianos continuam a ser lançados, e as forças de segurança agem rapidamente para controlar as ruas.
O sistema político do Irã, projetado para absorver choques, permite que o estado mantenha sua função mesmo em momentos de crise. A constituição prevê a transferência temporária das funções do líder supremo a um conselho de liderança, enquanto a Assembleia de Especialistas delibera sobre a escolha de um novo líder.
No domingo, o Irã nomeou o presidente Masoud Pezeshkian, o chefe da justiça Gholam-Hossein Mohseni-Ejei e o aiatolá Alireza Arafi para o conselho de liderança interino. A questão decisiva é onde o poder se consolida na prática, entre instituições clericais ou entre atores de segurança.
A persistência das operações militares iranianas após a morte de Khamenei reflete um planejamento institucional que antecipou essa situação. A autoridade já havia se deslocado para o Conselho de Segurança Nacional Supremo (SNSC), que é composto por figuras que atuam na interseção entre governança civil e poder militar.
Ali Larijani, chefe do conselho de segurança nacional, foi quem se dirigiu ao Irã e ao mundo após a morte do aiatolá. Em seu discurso, Larijani enfatizou a unidade nacional e advertiu contra aqueles que tentariam fragmentar o país, apresentando a situação como uma luta existencial para o Irã.
A distribuição de autoridade operacional entre instituições é um fator definidor do momento pós-Khamenei. O sistema militar do Irã, que investiu em uma estrutura de comando descentralizada, permite que operações continuem mesmo em condições de comando incertas.
Embora a remoção de Khamenei traga incertezas sobre o futuro do regime, a questão de quem herdará a autoridade em um sistema centrado em um único árbitro é crucial. A morte de Khamenei elimina a figura que equilibrava facções concorrentes por mais de três décadas.


