Um grupo de 118 imigrantes haitianos ficou retido no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), após a Polícia Federal (PF) identificar problemas de documentação. A companhia aérea Aviación Tecnológica S.A. (Aviatsa), fundada em Honduras em 2015, realizou seu primeiro voo fretado de passageiros do Haiti para o Brasil.
A Aviatsa opera com uma frota de dois aviões Boeing 737-200 e está regularizada junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para voos não regulares. Segundo Débora Pinter Moreira, representante jurídica da companhia no Brasil, este foi o primeiro fretamento de haitianos com pedido de refúgio. Ela negou que a empresa tivesse conhecimento de vistos falsificados entre os passageiros.
“”Será investigado pela companhia se isso, de fato, pode ter ocorrido. Mas não é do nosso conhecimento porque a gente tem um rigoroso compliance. Então, que eu saiba, não houve a circulação de vistos falsos, não. É muito grave o que foi apontado”, disse.”
A PF confirmou que a companhia será investigada por contrabando de migrantes, devido à identificação de vistos humanitários falsificados. A medida administrativa de inadmissão determinou o reembarque dos haitianos e a obrigação da Aviatsa de retornar os passageiros ao local de origem.
Na manhã de sexta-feira (13), agentes do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) chegaram ao aeroporto para prestar apoio. Até a última atualização, 97 haitianos permaneciam retidos em uma sala no aeroporto, aguardando o início do processo de admissão no Brasil.
A Aviatsa afirmou que todos os imigrantes apresentaram documentação válida e compraram passagens. Um novo voo com 160 haitianos, operado por outra companhia, chegou a Viracopos sem problemas, com todos os passageiros liberados.
A Polícia Federal informou que Viracopos recebe, em média, três voos fretados por semana, com aproximadamente 600 haitianos. A situação no Haiti é crítica, com a ONU classificando-a como uma das crises humanitárias mais graves do mundo.
A Aviatsa manifestou preocupação com a situação dos passageiros retidos e repúdio à condução da operação pela Polícia Federal, afirmando que a situação representa uma grave violação de direitos humanos.

