‘O Agente Secreto’ transforma o Recife em cenário e vitrine do cinema pernambucano

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

‘O Agente Secreto’, dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, reconstitui o Recife de 1977 e foi gravado em quase 50 pontos da capital pernambucana. O filme transforma a cidade em vitrine e projeta a paixão pelo cinema feito em Pernambuco para plateias de diferentes países.

Entre os cenários, destaca-se o Cinema São Luiz, um dos cinemas de rua mais icônicos do Brasil, inaugurado em 1952. O prédio histórico aparece em várias cenas do filme e atualmente exibe a própria produção, proporcionando uma experiência curiosa ao público.

‘O Agente Secreto’ recebeu quatro indicações ao Oscar: melhor ator, melhor filme, melhor filme internacional e melhor elenco. O longa também conquistou dois prêmios no Globo de Ouro e dois prêmios no Festival de Cannes de 2025.

O gestor do Cinema São Luiz, Gustavo Coimbra, compartilha sua experiência de infância no local, onde assistia a filmes com sua mãe. Ele destaca a importância do ritual de cinema e como agora, ao acender os vitrais antes das sessões, revive essas memórias.

““Hoje a gente está aqui, eu estou aqui trabalhando no cinema e eu fazer os vitrais acenderem, aquilo que eu vinha ver com minha mãe quando pequeno, isso é inexplicável, é gratificante demais”, disse Gustavo.”

O projecionista João Bosco, que também atuou no filme, notou um aumento no público após a estreia de ‘O Agente Secreto’. Ele afirmou que muitos visitantes nunca haviam entrado no São Luiz antes do filme.

A relação entre o Recife e o cinema é histórica. O primeiro filme feito na cidade, ‘A Filha do Advogado’, foi dirigido por Jota Soares em 1926. Desde então, Pernambuco tem uma das cinematografias regionais mais antigas e consistentes do Brasil.

O diretor Kleber Mendonça Filho enfatiza a importância de contar histórias locais através do cinema, afirmando que é essencial que o Brasil se veja e ouça por meio de suas produções.

““É muito importante que nós tenhamos algo a dizer. É feito você estar numa conversa e você dizer: eu tenho uma coisa para falar”, declarou Kleber.”

O ator Wagner Moura também ressaltou a relevância do cinema para a identidade cultural brasileira, afirmando que o reconhecimento internacional é significativo.

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