Álcool é classificado como carcinógeno e aumenta risco de câncer, revela estudo

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) classifica as bebidas alcoólicas como carcinógeno do Grupo 1. Um estudo recente revela que o consumo de álcool está associado ao aumento do risco de diversos tipos de câncer.

Especialistas afirmam que o álcool é responsável por cerca de 4% de todos os casos de câncer no mundo. Os principais tipos de câncer associados ao consumo de bebidas alcoólicas incluem: cavidade oral, glândula salivar, faringe, laringe, esôfago, cólon, reto, fígado, mama e estômago.

Segundo as nutricionistas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), Maria Eduarda Leão e Gabriela Vianna, o etanol, ao ser metabolizado, se transforma em acetaldeído, uma substância com alto potencial carcinogênico. Essa substância pode causar danos no DNA das células e facilita a entrada de outras substâncias carcinogênicas no organismo.

““O álcool também aumenta o estresse oxidativo nas células e favorece processos inflamatórios. A inflamação crônica aumenta o risco de lesões no DNA”, explica a presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Clarissa Baldotto.”

O estudo da IARC foi uma revisão científica abrangente, analisando evidências publicadas até junho de 2021. Os pesquisadores focaram em metanálises e relatórios de instituições, como o Fundo Mundial de Pesquisa sobre o Câncer (WCRF).

Não existe um nível seguro de consumo de álcool em relação ao risco de câncer. Mesmo níveis baixos de consumo podem aumentar a probabilidade de desenvolver a doença. Um estudo estima que mais de 100 mil casos de câncer registrados em 2020 foram associados ao consumo leve a moderado de álcool.

““As evidências apontam que o fator mais importante para o aumento do risco de câncer é a quantidade de etanol consumida. Existe um efeito dose-resposta: quanto maior o consumo, maior o risco de alguns tipos de câncer”, afirmam as nutricionistas do INCA.”

O Instituto Nacional de Câncer desenvolve ações para aumentar a conscientização sobre os riscos do consumo de álcool, incluindo a participação nas discussões sobre o imposto seletivo sobre produtos prejudiciais à saúde.

Os autores do estudo concluem que, apesar de o álcool ser classificado como carcinógeno do Grupo 1 há mais de 30 anos, a conscientização pública sobre essa relação ainda é baixa. Eles defendem a ampliação de políticas de controle do álcool e estratégias de prevenção para reduzir a carga global da doença.

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