As voçorocas em Buriticupu, no Maranhão, avançam há décadas, ameaçando bairros inteiros e colocando em risco a vida de moradores. Desde 2022, a Justiça do Maranhão e o Ministério Público têm cobrado ações estruturais e de proteção social, mas nenhuma medida foi integralmente cumprida até o momento. Atualmente, são 33 voçorocas catalogadas, com sete mortes e cerca de 360 famílias afetadas, além de crateras que chegam a 80 metros de profundidade.
A cidade, que possui cerca de 55 mil habitantes, enfrenta o problema há aproximadamente 30 anos, com o surgimento das voçorocas ligado a fatores como desmatamento intenso, ocupação urbana desordenada e ausência de drenagem. A falta de planejamento urbano desde a década de 1980 contribuiu para a situação crítica.
Em 2020, a Justiça determinou que a Prefeitura de Buriticupu realizasse uma série de medidas para conter o avanço das voçorocas, incluindo a construção de pontes e a remoção de famílias em situação de risco. No entanto, a prefeitura recorreu da decisão e não cumpriu as obrigações estabelecidas.
Em abril de 2022, novas medidas emergenciais foram solicitadas devido ao agravamento da situação. O juiz da 1ª Vara da Comarca de Buriticupu, Raphael Leite Guedes, determinou ações como o isolamento de áreas de risco e o cadastramento das famílias afetadas. Apesar de recursos federais terem sido destinados para obras de drenagem, as intervenções seguem paradas.
Em fevereiro de 2025, a prefeitura decretou estado de calamidade pública, alegando falta de recursos e dificuldades na liberação de verbas federais. O governo federal contestou essa versão, afirmando que já havia repassado quase R$ 10 milhões para assistência social e moradias.
Com a falta de avanços, o juiz Flávio Gurgel Pinheiro impôs um cronograma detalhado para ações emergenciais, mas a prefeitura não cumpriu as exigências. Em março de 2025, a prefeitura recorreu da sentença, mas o Tribunal de Justiça confirmou que as obrigações continuavam válidas.
Entre março e setembro de 2025, as voçorocas continuaram a avançar, com especialistas registrando crescimento de até 18 metros em um ano. A gestão municipal afirmou ter iniciado uma obra de contenção, mas moradores e pesquisadores apontaram falhas graves na intervenção, como a ausência de drenagem e problemas na inclinação das obras.


