Rotina de veterinários de animais silvestres inclui picolés e pelúcias

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Veterinários que atuam com animais silvestres em Taubaté realizam atividades inusitadas para garantir o bem-estar dos bichos. Entre as tarefas, estão a preparação de picolés para refrescar onças em dias quentes, a alimentação de filhotes órfãos com mamadeiras e a criação de brincadeiras para estimular tartarugas.

Essas práticas fazem parte do trabalho no Parque Ecológico Selva Viva, onde profissionais se dedicam à recuperação e ao bem-estar de diversas espécies da fauna brasileira. No Dia Nacional dos Animais, celebrado em 14 de março, o projeto destaca a importância da criatividade e do conhecimento técnico na rotina dos veterinários.

““As atividades do dia a dia são curiosas e pouco conhecidas pelo público”, afirmou Marcus Buononato, biólogo-chefe do projeto Selva Viva.”

Para evitar que os animais se acostumem com a rotina do cativeiro, a equipe oferece “picolés de sangue” e “milkshakes” em dias quentes, enquanto no inverno, os animais recebem mais feno, cobertores e ambientes aquecidos. Muitos filhotes que chegam ao local são órfãos e recebem pelúcias para minimizar o impacto da perda materna.

Um exemplo é Cacau, um bicho-preguiça que mantém sua pelúcia por perto. Para estimular o movimento dos animais, a equipe esconde alimentos em caixas e utiliza brinquedos que incentivam a exploração do ambiente. “A gente coloca caixas de papelão, com o alimento dentro. Que é para o animal destruir a caixa mesmo e encontrar o alimento”, explicou Buononato.

Além disso, os veterinários oferecem brinquedos como bolas e boias, criando uma ambientação enriquecedora. O objetivo é estimular comportamentos naturais, essenciais para a fauna. Para preservar a natureza selvagem dos animais, o contato humano é mantido ao mínimo.

““A medida é necessária para evitar a criação de vínculos entre humanos e as espécies”, destacou Buononato.”

O Selva Viva abriga espécies curiosas, como o monstro-de-gila, um lagarto raro que contribuiu para o desenvolvimento de medicamentos para diabetes tipo 2. A cobra jararaca também teve seu veneno utilizado em remédios para pressão alta.

O projeto não apenas cuida dos animais, mas também promove a educação ambiental. Muitas vezes, as crianças se encantam com animais menos tradicionais, como o sapo-cururu. Buononato enfatiza a importância de conhecer e valorizar a diversidade da fauna.

““Para você gostar, você precisa conhecer. Então, esse é o nosso intuito aqui”, afirmou.”

O Selva Viva é um espaço de reabilitação de animais silvestres resgatados de maus-tratos ou apreendidos. Desde 2016, o local possui licença para funcionar como zoológico aberto à visitação, embora cerca de 99% dos animais tenham sido criados em ambientes artificiais, dificultando a devolução à natureza.

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