Uma pesquisa realizada pela empresa de consultoria de mercado MindMiners revelou que aproximadamente 40% dos indivíduos da geração Z, com até 29 anos, aspiram a relações com algum grau de liberdade. O estudo, exclusivo para VEJA, entrevistou 1.000 pessoas e destaca a crescente aceitação de relacionamentos casuais e abertos.
O movimento feminista, a invenção da pílula anticoncepcional e a contracultura mudaram a percepção sobre os laços amorosos, promovendo a ideia de amor livre e consensual. A revolução digital intensificou essa dinâmica, permitindo que as pessoas conheçam potenciais parceiros através de aplicativos, antes mesmo de um encontro físico.
Daniele Ventura, de 30 anos, expressa sua preferência por manter as opções abertas: “Costumo engatar uma relação depois da outra”, afirma. Wellington Melo, também de 30 anos, compartilha uma visão semelhante, evitando depositar expectativas nas parceiras: “Prefiro ter várias mulheres legais do que uma ruim”.
Embora essa abordagem possa parecer excitante, especialistas alertam para os riscos emocionais envolvidos. Artur Azevedo Costa, professor da Associação Brasileira de Psicanálise Clínica, observa que padrões repetitivos de relacionamentos podem esconder fatores emocionais mais profundos.
A neurociência também oferece insights sobre essa preferência por relações curtas. Estudos da antropóloga Helen Fisher mostram que a conquista amorosa ativa regiões do cérebro ligadas à dopamina, neurotransmissor associado à recompensa e motivação. Essa fase inicial de um romance é frequentemente descrita como “quase aditiva”, mas a química tende a se dissipar rapidamente.
A atriz Glória Maciel, de 29 anos, exemplifica essa nova liberdade ao relatar que teve 32 encontros com onze pessoas em seis cidades diferentes no último ano. “Hoje, as mulheres podem convidar alguém para sair e decidir se querem continuar ou não”, diz Glória.
Um levantamento do Instituto QualiBest revela que 48% das brasileiras entre 18 e 29 anos buscam relações de curto prazo em aplicativos de namoro. O sociólogo Zygmunt Bauman descreve essa era como modernidade líquida, onde as conexões são cada vez mais fluidas. Para muitos, a regra é clara: que seja eterno até o próximo match.


