Pastor afirma ter recebido R$ 38 mil de aliado do prefeito de Manaus em investigação da PF

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O pastor Flaviano Paes Negreiros, líder da Igreja Pentecostal Unida do Brasil (IPUB), afirmou ter recebido R$ 38 mil de um aliado do prefeito de Manaus, David Almeida, durante a campanha eleitoral de 2024. A declaração foi feita em um vídeo obtido pela Rede Amazônica e faz parte de uma investigação da Polícia Federal (PF) sobre suspeitas de compra de votos na capital amazonense.

A investigação aponta que a negociação foi intermediada por Gabriel Alexandre da Silva Lima, genro do prefeito. Documentos e mensagens de quatro celulares apreendidos com líderes da IPUB estão sendo analisados pela PF. Um dia antes do segundo turno das eleições, a PF encontrou conversas que indicam articulações financeiras entre pastores e a campanha de Almeida.

No vídeo, ao ser questionado sobre o valor recebido, Flaviano respondeu:

“”Quanto foi ofertado para o senhor? 38 mil! E quem ofertou esse valor? Foi o David. Foi uma pessoa do David”.”

Outro pastor, Werner Monteiro de Oliveira, também confirmou em depoimento que o grupo recebeu dinheiro em espécie:

“”A gente ganhou uma oferta 38 mil em espécie”.”

A Secretaria Municipal de Comunicação foi questionada sobre as informações do inquérito, mas não respondeu até a atualização mais recente da reportagem.

Os investigadores encontraram mensagens em um dos celulares do pastor Flaviano, onde ele se comunicava com um contato salvo como “Gabriel Davi Almeida”, identificado como o genro do prefeito. As mensagens sugerem que líderes religiosos discutiam valores e articulações para apoio político durante a campanha.

Um trecho da perícia revela um pedido direto a Gabriel para o envio de R$ 80 mil, com a intenção de dividir o valor entre as lideranças religiosas. Um áudio enviado por um pastor diz:

“”Se o senhor pudesse enviar todo aquele valor, os oitenta mil, para nós já dividir com todo mundo, para todo mundo se animar”.”

Além disso, a PF identificou que Gabriel solicitou apoio na divulgação da campanha, pedindo que os pastores colocassem o número eleitoral do candidato apoiado em suas redes sociais. As mensagens indicam uma tentativa de mobilizar as lideranças religiosas para ampliar a propaganda política.

A investigação sobre a compra de votos envolvendo o prefeito David Almeida começou em 2024, após uma denúncia recebida pela PF. Os celulares foram apreendidos em uma operação policial em 26 de outubro de 2024, na véspera do segundo turno das eleições. Durante a operação, foram encontrados envelopes com R$ 21.650 em espécie, que, segundo os pastores, faziam parte dos R$ 38 mil recebidos na noite anterior de um aliado da campanha de Almeida.

Dois dirigentes da igreja foram presos em flagrante e liberados após pagamento de fiança de R$ 15 mil cada, respondendo ao processo em liberdade.

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