Um pedreiro de 56 anos e um jovem de 22 morreram em uma troca de tiros durante uma ação da Polícia Militar em um baile funk no Jardim Macedônia, na Zona Sul de São Paulo, na manhã de sábado, 14 de março de 2026.
As vítimas foram identificadas como Francisco da Chavas Fontinelle, de 56 anos, e Kauã Lima, de 22 anos. Francisco havia saído de casa por volta das 5h30 para ir ao trabalho e foi atingido por um disparo no abdômen enquanto parava em um bar para comprar cigarros. Segundo sua filha, Milena dos Santos Fontinelle, ele ficou cerca de uma hora aguardando atendimento médico, e imagens gravadas por ela mostram o pedreiro caído no chão, cercado por policiais.
“De tanto que a população gritou, porque todo mundo conhece meu pai e sabe que ele é uma vítima, que ele é trabalhador, eles deixaram”, relatou Milena. Francisco foi levado ao pronto-socorro no carro da família, mas já estava morto ao chegar ao local. Ele foi baleado na Rua Póvoa de Varzim, a poucos metros de sua casa. Milena afirmou que seu pai não estava armado e não conseguia correr devido a problemas de saúde.
A segunda vítima, Kauã Lima, estava participando do baile funk no momento da operação policial. Ele foi baleado no peito e, embora tenha sido levado ao pronto-socorro, não resistiu aos ferimentos. No início da tarde, os corpos de Francisco e Kauã foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) Sul, localizado no bairro do Brooklin.
A Polícia Militar informou que a ação foi realizada após denúncias de um baile funk irregular e que os policiais teriam sido recebidos a tiros por criminosos, reagindo em seguida. Nenhum policial ficou ferido. No entanto, moradores e familiares contestam essa versão, afirmando que os agentes entraram na comunidade atirando.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) declarou que todos os feridos foram socorridos conforme o protocolo operacional da corporação. O caso está sendo investigado pelo 47º Distrito Policial (Capão Redondo) e pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que analisarão imagens das câmeras corporais dos policiais envolvidos. Perícias também foram realizadas no local, e um Inquérito Policial Militar será aberto para apurar a conduta dos agentes.


