A escritora e pesquisadora argentina Laura Ramos lançou o livro “Mi Niñera de la KGB” (Lumen, 252 páginas), que narra a história da espiã África de La Heras (1909-1988), coronel do KGB. A obra explora sua atuação na Guerra Civil Espanhola e na Segunda Guerra Mundial, além de seu envolvimento no assassinato de Liev Trótski no México, em 1940.
África de La Heras, que também foi casada com o escritor uruguaio Felisberto Hernández, se destacou como uma das agentes mais condecoradas pela União Soviética. Com 1,63m de altura, usou vários codinomes, incluindo María Luisa e Znoy, e se apresentou como modista para disfarçar suas atividades de espionagem.
O livro revela que, em 2018, Víctor Ramos, que ajudou na pesquisa, afirmou que María Luisa era mais do que uma babá afável; ela era uma espiã internacional. Pavel Sudoplatov, dirigente do KGB que organizou o assassinato de Trótski, descreveu María Luisa como “nossa melhor agente” em suas memórias de 1994.
Laura Ramos, com a ajuda da tradutora Tasya, investigou documentos do KGB no Churchill Archives Centre, em Londres. O Arquivo Mitrokhin mencionava La Espanhola como uma espiã sem cobertura diplomática. A pesquisa também incluiu a família de María Luisa em Ceuta, na Espanha, onde sua sobrinha-neta contou a história oficial da espiã.
África de La Heras casou-se aos 19 anos, mas saiu de casa em busca de independência. Em Madri, envolveu-se com o sindicalismo e a política, tornando-se miliciana durante a Guerra Civil Espanhola. Sua amizade com Caridad Mercader, mãe de Ramón Mercader, a aproximou do KGB, onde começou a trabalhar em 1937.
María Luisa foi enviada ao México para se infiltrar no círculo de Trótski, onde atuou como tradutora. Sua missão incluía coletar informações sobre a rotina e segurança do líder trotskista. Apesar de não ter certeza se conheceu Trótski pessoalmente, ela foi a primeira agente a se infiltrar em seu secretariado.
Laura Ramos conclui que María Luisa também ajudou na operação que culminou no assassinato de Trótski, fornecendo informações sobre documentos falsos e a estrutura interna da Casa Azul, onde Trótski residia. O KGB organizou a operação com a participação de vários agentes, incluindo Ramón Mercader, que chegou ao México em 1939.
O livro de Laura Ramos traz à tona a vida e os feitos de África de La Heras, revelando uma figura complexa que desempenhou um papel crucial na espionagem soviética e na história política do século 20.


