Investigação dos EUA sobre trabalho forçado pode afetar comércio com Brasil

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A investigação dos Estados Unidos sobre práticas de trabalho forçado, que inclui o Brasil, pode se tornar uma nova ferramenta de pressão comercial, segundo analistas. A declaração foi feita após o USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) anunciar, na quinta-feira (12), o início de investigações com base na seção 301(e) da Lei de Comércio de 1974, envolvendo 60 países.

Fábio Murad, economista e CEO da Super-ETF Educação, afirmou que a decisão americana deve ser vista como um instrumento de pressão comercial e geopolítica. Ele explicou que o mecanismo permite ao governo dos EUA investigar práticas consideradas injustas e, caso identifique prejuízo à indústria local, adotar medidas como tarifas adicionais ou restrições comerciais.

““O mecanismo usado permite ao governo americano investigar práticas consideradas injustas e, caso identifique prejuízo à indústria local, adotar medidas de resposta como tarifas adicionais, restrições comerciais ou negociações entre governos”, disse Murad.”

Murad também não descarta a possibilidade de novas tarifas, embora seja difícil estimar valores. Ele mencionou três possíveis caminhos: negociação bilateral, imposição de tarifas adicionais ou restrições a produtos específicos, ressaltando que etapas anteriores precisam ser seguidas.

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Carlos Castro, planejador financeiro e CEO da SuperRico, explicou que após a investigação e coleta de informações, há uma tentativa de negociação com os países envolvidos. Se as práticas forem consideradas prejudiciais ao comércio americano, os EUA podem aplicar sanções.

““Após investigação e coletar as informações, existe uma tentativa de negociação com os países envolvidos. Se, ao final, eles entenderem que essas práticas são consideradas prejudiciais ao comércio americano, aí sim os EUA podem aplicar sanções”, afirmou Castro.”

Castro também destacou que esse processo não é simples e pode levar meses. Ele lembrou que a imprevisibilidade do governo atual pode complicar ainda mais a situação.

Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, comentou sobre o impacto imediato no mercado, que tende a ser mais reputacional do que econômico. Ele observou que acionistas reavaliam setores exportadores diante de investigações desse tipo, o que pode gerar volatilidade nas empresas ligadas ao comércio exterior.

““É possível que exista volatilidade em empresas ligadas ao comércio exterior e também no câmbio, porque disputas comerciais sempre trazem incerteza sobre fluxo de comércio”, explicou Assis.”

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Assis também destacou que essa investigação deve ser vista dentro de uma tendência mais ampla de transformação do comércio internacional, onde temas como direitos trabalhistas e sustentabilidade influenciam as regras de acesso aos mercados globais.

Murad acrescentou que a investigação envolve 60 economias, não se restringindo apenas ao Brasil. Ele alertou para o risco de tarifas ou barreiras comerciais que possam afetar exportações relevantes, embora muitos desses processos terminem em ajustes regulatórios ou acordos.

O embaixador e Representante Comercial, Jamieson Greer, afirmou que governos anteriores não conseguiram proibir a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado. Ele destacou que as investigações determinarão se os governos estrangeiros tomaram medidas suficientes para erradicar essas práticas.

““Essas investigações determinarão se os governos estrangeiros tomaram medidas suficientes para proibir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado e como a falha em erradicar essas práticas abomináveis ​​impacta os trabalhadores e as empresas americanas”, disse Greer.”

Os efeitos da investigação já começaram a repercutir no mercado, e especialistas avaliam as possíveis consequências para o Brasil.

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