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Infraestrutura

Caminhoneiros enfrentam filas de dias em porto no Pará sem água e banheiro

Amanda Rocha
Última atualização: 15 de março de 2026 05:00
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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Caminhoneiros que transportam a safra de soja enfrentam longas filas no porto de Miritituba, no Pará, sem acesso a água ou banheiros. A situação se agravou no fim de fevereiro, quando a fila de caminhões chegou a 45 km, ocupando parte da BR-163.

O caminhoneiro Álvaro José Dancini relatou: “A situação era precária. Banho era no igarapé, banheiro era o mato. Não tem o que fazer.” Outro motorista, Jefferson Bezerra, ficou 40 horas parado na estrada e mais 12 horas dentro do porto. Ele comentou: “Quem tinha alguma coisa dentro do caminhão, comia. Quem não tinha, ficava com fome. Ainda bem que os postos ali mais próximos passavam com carro dando água para nós.”

Além do desconforto, os motoristas enfrentam prejuízos financeiros. Renan Galina afirmou: “A gente depende de fazer os fretes. Então, se você fica três dias parado numa fila, é três dias que você não está recebendo nada, porque eles não pagam a estadia. É só prejuízo.”

Esse congestionamento ilustra os desafios do transporte agrícola no Brasil. A alta produção de grãos e a falta de armazéns contribuem para a sobrecarga nos portos. Fernanda Rezende, diretora executiva da Confederação Nacional do Transporte (CNT), explicou que o transporte rodoviário é ineficiente para grandes volumes de carga, que deveriam ser transportados por ferrovias ou hidrovias.

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O professor Thiago Péra, da Esalq-USP, destacou que um caminhão consome cerca de um litro de diesel a cada 2 km no transporte de grãos. Em uma viagem de 2 mil km até o porto de Santos, o consumo pode chegar a 1 mil litros. Ele acrescentou que a baixa qualidade das estradas, com apenas 12,4% pavimentadas, aumenta os custos de transporte.

Os caminhoneiros também enfrentam danos em seus veículos devido às condições das estradas. Bezerra relatou que quebrou o caminhão após passar por um buraco. Dancini também comentou sobre os prejuízos diários causados por estradas em más condições.

A falta de armazéns é outro fator que contribui para o congestionamento. Rezende afirmou: “A gente bate recorde de produção, só que a infraestrutura não acompanha.” Atualmente, o Brasil consegue armazenar apenas cerca de 80% da produção agrícola, forçando os caminhões a atuarem como armazéns temporários.

O congestionamento nos portos resulta em menos caminhões disponíveis para transporte, elevando o preço do frete durante a safra. Galina observou que o faturamento dos caminhoneiros cai para menos da metade durante esses períodos. Bezerra acrescentou que a fila prejudica o pagamento das dívidas do caminhão.

O aumento do custo do transporte impacta também os preços dos alimentos. Péra explicou que a infraestrutura precária torna a economia brasileira mais cara, refletindo em bens e serviços. Ele ressaltou que a melhoria da infraestrutura beneficiaria o agronegócio e a economia como um todo.

O Brasil investe apenas entre 0,4% e 0,6% do PIB em infraestrutura, um percentual baixo em comparação com países como Estados Unidos e China. Péra afirmou que o Brasil precisaria investir pelo menos 2% do PIB para melhorar a competitividade. Rezende concordou, destacando a necessidade de ampliar e recuperar a malha rodoviária e integrar diferentes modalidades de transporte.

TAGGED:agriculturaÁlvaro José DanciniBR-163CaminhoneirosConfederação Nacional do TransporteESALQ/USPFernanda RezendeinfraestruturaJefferson BezerraMirititubaParáRenan GalinaSojaThiago PéraTransporte
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