No domingo, o filme ‘O Agente Secreto’ concorre ao Oscar em quatro categorias, incluindo a nova categoria de Melhor Seleção de Elenco. Com o longa em destaque, cresce o interesse do público pelas produções nacionais.
Cineastas do Pará afirmam que a fase atual do cinema brasileiro valoriza filmes feitos na Amazônia, que possui uma produção ativa e diversa, com projetos independentes e uma plataforma para assistir a obras da região. A premiação será realizada em Los Angeles, com transmissão ao vivo pela TV Globo.
O longa, dirigido por Kleber Mendonça Filho, concorre a Melhor Filme e Melhor Ator para Wagner Moura. Para os profissionais do cinema no Pará, o reconhecimento internacional de ‘O Agente Secreto’ mostra que estados do Norte e Nordeste também produzem filmes dignos de Oscar.
““O mundo está redescobrindo o que temos de bom aqui na Amazônia e o que sempre fizemos. É muito bom ver produções nacionais ganhando espaço lá fora”, disse Raphael Mendes, cineasta paraense e mestrando pela Universidade Federal do Pará (UFPA).”
Raphael destaca que o reconhecimento ajuda o público a conhecer a diversidade do cinema amazônico. Ele afirma que, apesar de atuar no mercado há cinco anos e ter seis projetos lançados ou em fase final de produção, o cinema paraense abrange diferentes estilos e temas.
““Todo o cinema que é feito no Pará é paraense, mesmo quando não fala diretamente da cultura do estado. Temos realizadores que querem contar histórias de ação, humor, ficção. Isso mostra como a produção é diversa”, afirmou.”
No dia 11 de janeiro, ‘O Agente Secreto’ venceu como melhor filme em língua não inglesa no Globo de Ouro, e Wagner Moura foi premiado como melhor ator. Kleber Mendonça Filho dedicou o reconhecimento a jovens cineastas, ressaltando a importância do momento para a produção de filmes.
““Dedico este filme aos jovens cineastas. Este é um momento muito importante na história para se fazer filmes aqui nos Estados Unidos e no Brasil”, disse o diretor.”
Laura Amaral, cineasta e assistente de produção executiva na ‘Marahu Filmes’, acredita que há muito a ser produzido na Amazônia. Ela afirma que o reconhecimento ajuda a evidenciar o potencial da produção audiovisual na região.
““O Pará tem capacidade de produzir filmes que cheguem a grandes premiações internacionais, como o Oscar, mas isso exige políticas públicas, leis de incentivo e valorização das histórias e profissionais locais”, afirmou.”
Laura observa que as produções no Pará têm crescido, especialmente as realizadas por diretores e roteiristas locais. Ela acredita que este ano marcará a produção de novos longas-metragens no estado.
““É um movimento ainda lento, mas constante. Cada vez mais histórias estão sendo contadas e muitas outras ainda estão por vir”, disse.”
Milene Maués, cineasta com cerca de 19 projetos no currículo, também vê um momento de crescimento e visibilidade para a produção local. Ela destaca que as produções do Pará estão disponíveis em plataformas digitais, como o Observatório de Cinema e Audiovisual da UFPA (OCA).
““É uma forma de aproximar o público dessas produções, porque muita gente nem sabe que existe cinema sendo feito aqui”, explicou.”
Apesar do crescimento, os profissionais enfrentam desafios, como a limitação de recursos e políticas de incentivo. Raphael Mendes aponta que há desigualdade na valorização de profissionais locais, com produções que ainda trazem equipes de fora.
““Muitas vezes vemos produções sendo feitas aqui, mas com profissionais vindos de fora. Ainda existe uma cultura de pensar que um profissional do Norte talvez não tenha a mesma competência, e isso precisa mudar”, disse.”
Laura acredita que o apoio institucional e o reconhecimento do público são fundamentais para ampliar a visibilidade das produções locais. Ela destaca que a experiência de assistir a um filme produzido na região ajuda a fortalecer a produção.
““Quando as pessoas assistem a um filme produzido aqui e compartilham essa experiência com outras pessoas, ajudam a fortalecer essa produção e a fazer com que essas histórias circulem”, afirmou.”
Os profissionais do setor acreditam no potencial do cinema paraense e na força das histórias da Amazônia. Milene destaca:
““A gente tem muito potencial, muitas histórias para contar e muita vontade de fazer cinema”.”


