O navio Professor W. Besnard tombou no fundo do estuário no Porto de Santos, SP, na noite de sexta-feira (13). A embarcação ficou inclinada e parcialmente submersa após acumular água da chuva e ser invadida pela água do canal. Segundo o Instituto do Mar (Imar), responsável pela embarcação, não foi possível acionar uma bomba externa de sucção devido ao furto dos cabos de energia de um ponto de luz cedido pela Prefeitura de Santos.
A embarcação, que está fora de operação desde 2008, passava por reformas após ter sido doada pela Prefeitura de Ilhabela à ONG Imar e estava atracada no cais do Parque Valongo. O instituto planeja transformar o navio em um museu flutuante, mas enfrenta dificuldades financeiras e falta de investidores. O presidente do Imar, Fernando Liberalli, afirmou que o afundamento ocorreu porque as bombas de sucção não puderam ser ligadas por falta de energia elétrica.
Fernando Liberalli explicou que o ponto de luz utilizado era fornecido pela prefeitura, mas os fios de cobre foram furtados antes do Carnaval, e a administração municipal não reinstalou a energia, mesmo após notificação. Ele relatou:
“‘O navio vai baixando, porque vai enchendo de água. Ele encheu até as escotilhas embaixo, que estão abertas, e a água do canal entrou no navio. Ele virou de uma vez’.”
O navio já foi alvo de outros furtos, principalmente durante a madrugada, apesar da presença de voluntários no local. A recuperação da embarcação exigirá mergulhadores e um balão de elevação, o que representa um alto custo para a ONG. Fernando afirmou:
““Está tudo sob controle. Agora, sob controle com um prejuízo desgraçado””
.
Ele também mencionou que o Imar continua buscando patrocinadores para viabilizar a reforma, alertando que, se não conseguir, terá que sucatear o navio.
““Está muito difícil. São muitos anos de promessa [de investimentos]””
.
O Professor W. Besnard foi projetado no Brasil e construído na Noruega em 1966, chegando ao País em agosto de 1967. O navio participou da primeira viagem brasileira à Antártica em 1982 e navegou mais de 3 mil dias em sua história. Desde 2008, estava atracado no Porto de Santos após ter sido cedido pela USP para Ilhabela, que planejava afundá-lo para criar um recife artificial. Em 2023, a Justiça determinou que ele fosse desmontado, mas a prefeitura doou o navio ao Imar.
A Autoridade Portuária de Santos informou que o navio ocupa um espaço cedido enquanto aguarda providências para sua restauração. A APS isolou a área em terra e instalou barreiras de contenção no mar para evitar vazamento de óleo. A Capitania dos Portos de São Paulo foi comunicada e afirmou que não há risco para a navegação no Porto de Santos, já que o navio adernou junto ao cais.
A Marinha do Brasil também foi acionada e enviou peritos ao local. A situação do navio não oferecia risco iminente à navegação, e um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação foi instaurado para apurar as causas e possíveis responsáveis pelo ocorrido.

