A paralisação parcial dos rodoviários do sistema urbano de São Luís entrou no terceiro dia neste domingo (15), sem previsão de um acordo entre os trabalhadores e empresários.
A greve é motivada pelo atraso no pagamento do reajuste salarial, conforme informou o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Maranhão (Sttrema). Desde a sexta-feira (13), os coletivos estão fora de circulação, causando dificuldades para a população se deslocar pela capital maranhense.
Apesar da greve, os ônibus do sistema semiurbano, que atende bairros dos municípios de Paço do Lumiar, Raposa e São José de Ribamar, continuam circulando, mas não entram nos terminais de integração de São Luís.
Esta é a segunda vez em menos de três meses que a cidade enfrenta uma greve de ônibus. O sindicato estima que cerca de 4,5 mil a 5 mil trabalhadores atuam atualmente no sistema de transporte público da Grande São Luís.
Marcelo Brito, presidente do Sttrema, afirmou que nenhum rodoviário recebeu o salário com o aumento acordado na última paralisação, determinada pelo Tribunal Regional do Trabalho. Uma placa na porta de uma das empresas de transporte público indicava a contratação de motoristas, mas os rodoviários ressaltam que o problema central é o não pagamento do reajuste salarial.
A Prefeitura de São Luís informou que vem cumprindo regularmente suas obrigações financeiras com o sistema de transporte público e que os repasses de subsídios às empresas estão sendo realizados em dia. Para mitigar os impactos da greve, o Município liberou vouchers em um aplicativo de transporte para garantir o deslocamento dos usuários.
Além disso, a Prefeitura ingressou na quinta-feira (12) com uma ação na Justiça do Trabalho pedindo a declaração de abusividade da greve e a adoção de medidas para assegurar a circulação mínima do transporte coletivo, conforme a legislação.
A Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) afirmou que a greve é resultado do não cumprimento, pelas empresas de ônibus, da decisão da Justiça do Trabalho que determinou a implementação do reajuste salarial e a concessão de benefícios aos trabalhadores rodoviários.
O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) declarou que o subsídio pago pela Prefeitura ainda é o mesmo desde janeiro de 2024, apesar dos reajustes salariais concedidos aos trabalhadores e do aumento dos custos do serviço.
O Ministério Público do Maranhão está conduzindo um inquérito civil para investigar falhas na prestação do serviço de transporte coletivo, incluindo paralisações recorrentes e possíveis irregularidades na gestão do sistema.
Nos últimos seis anos, São Luís enfrentou pelo menos dez paralisações no sistema, principalmente por impasses salariais. A última greve durou oito dias e foi encerrada após um acordo que garantiu o pagamento dos salários atrasados.


