Luciana Brafman, carioca radicada em Los Angeles, é produtora, diretora e ativista climática com mais de 20 anos de experiência em projetos premiados. Ela possui duas indicações ao Emmy por seu trabalho em Survivor, The Apprentice e The Big Give, de Oprah Winfrey.
Fundadora da Time To Act, Brafman transforma cinema e arte em ferramentas de impacto socioambiental. Ela lidera documentários, exposições e instalações dedicadas à sustentabilidade e à justiça socioambiental.
No próximo dia 31, seu mini documentário, Seu Estilo, Seu Impacto, com Ricardo Carioba, estreia no Canal Fashion TV. O projeto aborda os desafios da indústria da moda sustentável e conta com depoimentos de Alexandre Herchcovitch, Jum Nakao, Osmar Metsavaht e Taciana Abreu (Riachuelo), entre outros.
Em entrevista, Brafman falou sobre o projeto e a relação entre moda e sustentabilidade. “Quis provocar uma tomada de consciência e uma mudança de comportamento. Precisamos reconhecer que cada escolha de consumo tem impactos ambientais e sociais reais”, afirmou.
Ela também comentou sobre a necessidade de a moda falar sobre responsabilidade: “O que vestimos expressa quem somos, nossos valores, no que acreditamos e o tipo de mundo que queremos construir”.
Questionada sobre seu otimismo em relação ao futuro da moda, Brafman respondeu: “Estou otimista, mas com senso de urgência. Hoje existem muitas soluções sendo desenvolvidas: novos materiais, inovação em design, rastreabilidade, reciclagem e modelos de economia circular”.
Ela destacou a importância de um investimento real para que a transformação ocorra em escala: “Estamos falando de uma mudança estrutural: sair de uma economia linear para uma circular, que prolonga a vida dos produtos e reintegra materiais ao sistema”.
Brafman também abordou o conceito de moda regenerativa, que busca criar sistemas produtivos que regenerem ecossistemas e valorizem comunidades. “Isso envolve desde matérias-primas cultivadas de forma regenerativa até cadeias produtivas mais transparentes e responsáveis”.
Sobre a diferença entre Brasil e EUA na pauta da moda sustentável, ela disse: “Nos Estados Unidos há um forte investimento em inovação, tecnologia e desenvolvimento de novos materiais. Marcas como a Patagonia foram pioneiras ao colocar a sustentabilidade no centro do modelo de negócios”. Ela ressaltou que o Brasil traz uma força única para esse debate, com sua biodiversidade e identidade cultural.
Um exemplo citado por Brafman foi a Osklen, fundada por Oskar Metsavaht, que introduziu o conceito de sustainable luxury, redefinindo o luxo como consciência e não excesso. “O potencial brasileiro é enorme. O desafio agora é transformar essa riqueza criativa e ambiental em escala, investimento e competitividade global”.

