Um encontro entre onças-pintadas da mesma família resultou em uma briga no alto de uma árvore na Fazenda Caiman, em Miranda, no Pantanal de Mato Grosso do Sul. O confronto começou nos galhos e terminou dentro de um rio da região. O registro foi feito pelos guias Tautvilas Ligeika, Laura Kaziuraite e Pedro Oliveira durante um passeio pela área.
As onças envolvidas foram Pipa, sua mãe Jaci e o filhote Mocoha, de outra geração da mesma linhagem. O flagrante ocorreu em dois momentos. No primeiro, Pipa e Aracy se desentenderam no alto da árvore devido à proximidade com Mocoha. A Organização Não Governamental (ONG) Onçafari informou que o macho Kaxé também estava na área, seguido pela fêmea Jaci.
Os guias observaram que Aracy estava nas proximidades com Mocoha, perto de uma carcaça utilizada como alimento. Enquanto Jaci e Kaxé seguiram em outra direção, os guias se aproximaram e encontraram Pipa sozinha no alto da árvore. Logo depois, Pipa se deslocou para onde estavam Aracy e Mocoha. O filhote Mocoha subiu pelo mesmo tronco da árvore onde estava Pipa, que começou a vocalizar e demonstrar comportamento defensivo.
Instantes depois, Aracy subiu na árvore para defender Mocoha, resultando em um confronto entre as duas onças que acabou com a queda delas. Apesar do momento de tensão, todos os animais pertencem à mesma família. Aracy é avó de Pipa e mãe de Jaci, enquanto Mocoha é filho de Aracy, mas de outra ninhada.
Após a queda, Aracy e Pipa tiveram um breve confronto no chão, que durou pouco e diminuiu rapidamente. Em seguida, as onças se separaram, com Aracy e Mocoha seguindo em uma direção e Pipa permanecendo perto do local da briga. Pouco depois, Jaci voltou à área e cada grupo seguiu por caminhos diferentes pela mata.
Segundo a Onçafari, episódios como esse fazem parte das interações naturais entre onças-pintadas que compartilham o mesmo território. Neste caso, o encontro envolveu três gerações da mesma família. A organização também destaca que o ecoturismo responsável permite observar esse tipo de comportamento de forma segura e contribui para o conhecimento científico sobre a onça-pintada, o maior felino das Américas.
O acompanhamento das onças no Pantanal ajuda pesquisadores a entender melhor a rotina e as interações da espécie na natureza.

