História de jovem que morreu em recinto de leoa em zoológico de João Pessoa será livro

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A história de Gerson de Melo, o jovem que morreu após entrar no recinto da leoa no Parque Arruda Câmara, a Bica, em João Pessoa, será transformada em um livro. A obra está sendo desenvolvida pelo jornalista e escritor paraibano Phelipe Caldas, com previsão de lançamento para 2026.

Gerson faleceu no final de novembro de 2025. O caso gerou ampla repercussão e levantou discussões sobre saúde mental e vulnerabilidade social. Phelipe Caldas afirmou que a motivação para escrever o livro surgiu da necessidade de aprofundar o caso além da cobertura da imprensa.

““Na primeira semana eu praticamente não consumi nenhuma notícia sobre o caso, porque me provocava muita repulsa a forma como o caso estava sendo explorado, principalmente nas redes sociais”, contou Phelipe.”

A ideia de transformar a história de Gerson em livro surgiu após uma conversa com um amigo, que incentivou Phelipe a iniciar o projeto. “Depois da provocação do professor, desse meu amigo, eu modifiquei totalmente minha perspectiva e disse: é, realmente, então eu vou iniciar uma pesquisa sobre isso. E a partir daí eu entrei de cabeça no assunto”, detalhou.

A pesquisa começou em 9 de dezembro de 2025 e já reúne mais de 40 entrevistas e mais de 10 mil páginas de documentos públicos analisados. O livro busca reconstruir a trajetória de Gerson, marcada por pouco convívio familiar e passagens por instituições de acolhimento.

““O meu objetivo não é focar exclusivamente na morte dele, é tentar entender o que aconteceu ao longo de 19 anos da vida dele, para que culminasse naquela morte trágica”, afirmou Phelipe.”

Além da vida de Gerson, o livro abordará temas como saúde mental, tratamento psicológico e a lei antimanicomial. Phelipe espera que a obra provoque reflexões sobre o abandono e a vulnerabilidade social.

““Me parece que casos como o de Gerson são muito mais frequentes do que nos parece… Se o livro de alguma forma promover esse debate e de alguma forma conseguir evitar que outros Gersons morram, ele já terá cumprido o seu objetivo”, concluiu.”

O livro ainda não tem data de lançamento ou título definido, mas a previsão é que seja publicado até novembro de 2026, quando se completa um ano da morte do jovem. Phelipe Caldas é também autor de “O Menino que Queria Jogar Futebol”, adaptado para o cinema no filme ‘Inexplicável’.

A 1ª Vara Regional de Garantias arquivou o inquérito que investigava a morte de Gerson de Melo. A juíza Michelini Jatobá determinou que não houve influência de terceiros na morte do jovem, destacando o histórico de saúde mental da vítima.

Gerson de Melo, de 19 anos, morreu no dia 30 de novembro de 2025, após invadir o recinto de uma leoa e ser atacado. Ele tinha esquizofrenia e não recebia acompanhamento psicológico contínuo, além de ter um histórico familiar de transtornos mentais.

O jovem foi afastado do convívio familiar na infância e passou a viver em instituições de acolhimento até completar a maioridade. Após completar 18 anos, ele perdeu esse espaço e passou a viver por conta própria, enfrentando problemas de saúde mental e passagens pelo sistema prisional.

Uma semana antes do incidente, Gerson foi detido por atirar uma pedra em uma viatura da Polícia Militar, ação que, segundo uma prima, ele fazia para se sentir seguro.

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