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Entretenimento

Estudo revela que mulheres recebem apenas 10% dos direitos autorais na música

Amanda Rocha
Última atualização: 15 de março de 2026 15:05
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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Um estudo da UBC (União Brasileira de Compositores) revelou que, em 2025, apenas 10% dos direitos autorais na indústria da música foram destinados a mulheres. Entre os 100 maiores arrecadadores de direitos autorais, apenas 11 são mulheres, embora a melhor colocação feminina tenha avançado do 21º para o 16º lugar.

Os dados fazem parte da edição 2026 do estudo Por Elas Que Fazem Música, que analisa as condições das mulheres no setor e a desigualdade de gênero. As autoras concentraram 73% do total recebido pelas mulheres, enquanto as versionistas e produtoras fonográficas ficaram com apenas 1% cada da arrecadação. As intérpretes reuniram 23% e as que executam as músicas apenas 2%.

O estudo também indicou um crescimento expressivo no cadastro de obras e fonogramas com participação das mulheres em 2025. O total de fonogramas registrados por produtoras subiu 13%, enquanto obras cadastradas por autoras e versionistas tiveram alta de 12%. Para a UBC, isso indica uma melhoria na presença feminina não só como intérpretes, mas também nos bastidores da produção musical.

A UBC destacou que, apesar dos avanços, “a presença feminina ainda precisa ser fortalecida em diversas áreas do setor musical”. Desde 2017, houve um aumento de 229% na quantidade de mulheres associadas à UBC, refletindo o interesse e a busca por reconhecimento na indústria, embora isso ainda não se traduza proporcionalmente em rendimentos.

A maior concentração de mulheres na música está nas regiões Sudeste, Nordeste e Sul, totalizando 88%. O Sudeste lidera com 60%, enquanto o Norte apresenta o menor percentual, com 3%. No Nordeste, as mulheres representam 17%, no Sul, 11%, e no Centro-Oeste, 8%. A UBC enfatiza a necessidade de políticas que incentivem a participação de mulheres de todas as regiões no setor musical.

Em um levantamento digital com mais de 280 mulheres, 65% relataram ter sofrido assédio no meio profissional, sendo a maioria (74%) de natureza sexual. Além disso, 35% informaram ter sofrido atos violentos, com 72% sendo psicológicos. Em relação à discriminação, 63% disseram que foram ignoradas ou interrompidas em contextos profissionais.

Os segmentos de rádio e show foram os mais lucrativos para as mulheres, cada um representando 17% da arrecadação total feminina. A música é a principal fonte de sustento para 55% das entrevistadas, enquanto 29% não a consideram como renda principal. A pesquisa revelou que 45% se classificam como profissionais do mercado musical, 25% como compositoras, 22% como intérpretes e 8% como musicistas executantes.

Desde 2023, Paula Lima ocupa a presidência da UBC, sendo a primeira mulher a assumir a função. Atualmente, mais de 57% dos postos de liderança na entidade são ocupados por mulheres. “A ampliação da presença feminina na UBC tem um impacto direto na indústria musical”, afirmou Paula Lima. A diretora da UBC, Fernanda Takai, destacou que o desequilíbrio de gênero na indústria musical reflete a história do país e que a melhora na participação feminina não é uma conquista a curto prazo.

TAGGED:direitos autoraisFernanda TakaiIgualdade de GêneroMúsicaPaula LimaUBC
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