A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou no sábado, 14, um vídeo em que uma influenciadora bolsonarista acusa jornalistas de “desejarem” a morte do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) devido a uma pneumonia bacteriana bilateral.
O ex-presidente permanece no Hospital DF Star após um episódio de broncoaspiração. Os repórteres estavam do lado de fora do hospital para acompanhar as atualizações sobre sua saúde. A gravação não mostra os supostos comentários dos jornalistas e é acompanhada pela legenda “jornalistas reunidos desejando a morte de Bolsonaro e comemorando por ser sexta-feira 13”.
No vídeo, a influenciadora grita com os repórteres e filma o crachá de uma assessora, afirmando: “Isso é uma falta de vergonha”, enquanto é ignorada pelos presentes.
Após a divulgação do vídeo, dois jornalistas registraram boletins de ocorrência devido a intimidações. Um deles relatou que seu filho foi ameaçado e decidiu fechar suas redes sociais. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) repudiou as ameaças e a exposição violenta de jornalistas e seus familiares.
““O vídeo, produzido por uma influenciadora bolsonarista, foi amplificado por parlamentares da extrema direita e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que o compartilharam sem qualquer verificação, disseminando mentiras e expondo profissionais de imprensa que estavam simplesmente exercendo seu trabalho”, disse a Abraji.”
A associação também informou que as agressões não se limitaram ao ambiente digital. Duas repórteres foram reconhecidas na rua e sofreram ataques presenciais. Montagens e vídeos com uso de inteligência artificial foram criados, simulando que uma das profissionais é esfaqueada, e fotos de filhos e familiares dos jornalistas foram utilizadas para intimidação.
No boletim médico divulgado neste domingo, 15, a equipe médica informou que Jair Bolsonaro apresentou melhora no quadro renal, mas com nova elevação dos marcadores inflamatórios no sangue. O paciente “evoluiu com estabilidade clínica e melhora da função renal”, mas a mudança no quadro levou à necessidade de aumentar a cobertura de antibióticos e intensificar a fisioterapia respiratória e motora. O ex-presidente segue na UTI, sem previsão de alta.


